Questão 2863339

Língua Portuguesa · 2024

Questão

ID 2863339

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Crônica

Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: Prefeitura Municipal de Iúna


Tempo

Filtrava-se como se pudesse se esquivar da fúria do tempo. A fúria das horas. A fúria que aflora nas horas de solidão. Era inócua aos seus medos. Mas determinada diante dos seus objetivos.

Costumava caminhar, e às vezes, percebendo ou não, deixava restos do que ficou e do que sonhava para trás. Pensava, inerte: e se eu voltar? Voltaria, se pudesse? Voltaria, se quisesse? Podia e, vez ou outra, queria. Mas o que ganharia? Não se constroem castelos com pedaços do que ficou. Do que se jogou, justamente por julgar, num momento de inspiração, um peso morto.

Mas o medo do fim teve fim. Findou-se numa tarde em que o sol se apagou. Num lapso, faltou-lhe ar. Estranhamente, não um sorriso. O mundo veio abaixo. Mas ela não. Nem ela, nem sua pele, nem seus objetivos. O mundo em pó. E ela, só. Mas não tão só. Olhou ao redor. Figuras emergindo das cinzas escuras. Viu-se naqueles rostos. Naqueles olhos confiantes. Naqueles sorrisos de alívio. Pela primeira vez, não se sentiu ameaçada. A ameaça e o tempo não mais andavam de mãos dadas. Desatada, ela conseguiu enfim encarar o futuro.

Naquele dia, fez as pazes com o tempo.

(MARTINZ, Juliano. Tempo. Corrosiva – crônicas corrosivas e gestos de amor, 2010.)



Após a leitura da crônica, é possível afirmar que:

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