Questão
ID 2861101Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
Ano: 2025 Banca: Fronte Concursos e Projetos Órgão: Prefeitura Municipal de Cravinhos
LÍNGUA E SOCIEDADE: VARIAÇÃO E CONSERVAÇÃO LINGUÍSTICA
Embora desde princípios deste século linguistas como Antoine Meillet e Ferdinand de Saussure tenham chegado a configurar a língua como um fato social, rigorosamente enquadrado na definição dada por Emile Durkheim, só nos últimos vinte anos, com o desenvolvimento da sociolinguística, as relações entre a língua e a sociedade passaram a ser caracterizadas com maior precisão.
A sociolinguística, ramo da linguística que estuda a língua como fenômeno social e cultural, veio mostrar que estas inter-relações são muito complexas e podem assumir diferentes formas. Na maioria das vezes, comprova-se uma covariação do fenômeno linguístico e social. Em alguns casos, no entanto, faz mais sentido admitir uma relação direcional: a influência da sociedade na língua, ou da língua na sociedade.
É, pois, recente a concepção de língua como instrumento de comunicação social, maleável e diversificado em todos os seus aspectos, meio de expressão de indivíduos que vivem em sociedades também diversificadas social, cultural e geograficamente. Nesse sentido, uma língua histórica não é um sistema linguístico unitário, mas um conjunto de sistemas linguísticos, isto é, um diassistema, no qual se inter-relacionam diversos sistemas e subsistemas. Daí o estudo de uma língua revestir-se de extrema complexidade, não podendo prescindir de uma delimitação precisa dos fatos analisados para controle das variáveis que atuam, em todos os níveis, nos diversos eixos de diferenciação. A variação sistemática está, hoje, incorporada à teoria e à descrição da língua.
Em princípio, uma língua apresenta, pelo menos, três tipos de diferenças internas, que podem ser mais ou menos profundas:
1º) diferenças no espaço geográfico, ou variações diatópicas (falares locais, variantes regionais e, até, intercontinentais);
2º) diferenças entre as camadas socioculturais, ou variações diastráticas (nível culto, língua padrão, nível popular, etc.);
3º) diferenças entre os tipos de modalidade expressiva, ou variações diafásicas (língua falada, língua escrita, língua literária, linguagens especiais, linguagem dos homens, linguagem das mulheres, etc.).
A partir da nova concepção da língua como diassistema, tomou-se possível o esclarecimento de numerosos casos de polimorfismo, de pluralidade de normas e de toda a inter-relação dos fatores geográficos, históricos, sociais e psicológicos que atuam no complexo operar de uma língua e orientam a sua deriva.
Condicionada de forma consistente dentro de cada grupo social e parte integrante da competência linguística dos seus membros, a variação é, pois, inerente ao sistema da língua e ocorre em todos os níveis: fonético, fonológico, morfológico, sintático, etc. E essa multiplicidade de realizações do sistema em nada prejudica as suas condições funcionais.
CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017, 7ª ed.
Levando-se em conta o conceito de língua discutido no texto e o ensino adequado de língua e literatura preconizado na BNCC, é correto afirmar que: