Questão 2731041

Língua Portuguesa · 2020

Questão

ID 2731041

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2020 Banca: IESES - Instituto de Estudos Superiores do Extremo Sul Órgão: Câmara Municipal de Biguaçu


Leia o texto:

Aos poucos foram chegando os detalhes da fuga. Teresa arranjara dinheiro, economizando pacientemente as pequenas quantias que lhe davam para merenda e alfinetes. Comunicara-se com o rapaz, combinaram a fuga simultânea, mandara-lhe as suas economias. No dia ajustado, às três horas precisamente, quando o sino do jantar tocava e o colégio todo ia para o refeitório, um automóvel a esperava junto à grade da capela, já com o rapaz dentro e com o motor trabalhando. Desde meio-dia Teresa tinha um trajo de rua vestido sob a farda azul. Atravessou a capela, despiu o uniforme, deixou-o nos degraus da entrada, onde mais tarde o encontraram. Calmamente escalou a grade externa. Em cima, hesitou um pouco, sentindo a barra da saia presa a uma das pontas de ferro do gradil. Mas só esteve indecisa um momento, porque resolutamente se atirou para diante, o vestido rasgou-se no impulso, e ela foi cair de joelhos ao pé do carro. De dentro, o rapaz quis sair para a socorrer, porém ela se ergueu logo, e do moço só se viu o braço, fazendo-a entrar, depois batendo a porta do automóvel, que se sumiu na volta do beco. Um bodegueiro de defronte assistiu a tudo e nem teve tempo para gritar e chamar gente, tão rápidos foram a escalada, o salto, a fuga. O homem entrou aos gritos no parlatório, e contou o caso tão mal que a velhinha da portaria não o entendeu e pensou que ele fosse um doido ou um bêbado.

No dia seguinte ao da fuga o correspondente veio buscar Celeste, que adoecera com o choque e não parara ainda de chorar. E o que mais lhe doía, a sua única queixa, era a irmã não lhe ter dito adeus. Passados três dias, o colégio ainda estava de nojo como num luto. Nunca o enodoara vergonha igual, em 50 anos de história. Só ousávamos falar baixinho, pelos cantos, ninguém cantava, e era proibido aludir ao fato. Nosso pensamento, porém, não deixava a fugitiva, seguia o seu automóvel através das longas estradas, cogitava no que sentiria ela durante o mistério das noites, pelos caminhos, ou no despertar de aventura por lugares estranhos. De noite, Maria José, Glória e eu, sentadas na grama do pátio, nos perdíamos nessas imaginações. Estirávamo-nos de costas, as mãos sob a cabeça, olhando as Três-Marias que luziam próximas e nos chamavam. Em torno de nós, os muros se erguiam, levantando-se agora mais meio metro, para prevenir novas fugas. Aqui e além tijolos esparsos, montes de argamassa, a desordem da construção. Mas, que nos importavam os muros, a prisão mais fechada e mais alta? Nós tínhamos as nossas estrelas. (Queiroz, Rachel de. As Três Marias. 29.a ed. Rio de Janeiro: José Olímpio, 2018)

Leia as assertivas a seguir:

I. O texto relata a fuga de uma jovem e seu irmão de um internato para menores infratores, abandonando sua irmã mais nova, Celeste, que chorou muito.

II. O relato conta como uma jovem conseguiu escapar de um colégio interno para fugir com um rapaz e o impacto que causou no colégio e entre as colegas.

III. O relato foca na sensação que causou no orfanato a fuga de uma moça com seu namorado, deixando as amigas sonhando sobre as suas próprias possibilidades.

IV. A narradora conclui que ela e suas amigas não se preocupam com a liberdade de locomoção, pois elas têm a capacidade de sonhar ao olhar para as estrelas no céu.

Indique a alternativa que correta quanto à leitura do texto:

Alternativas da questão 2731041
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