Questão 2705933

Língua Portuguesa · 2022

Questão

ID 2705933

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2022 Banca: QUADRIX - Instituto Quadrix Órgão: Conselho Regional de Contabilidade do Paraná


Texto para os itens de 1 a 18.

1__ À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de

nós dedicamos muito tempo a perguntar por que a natureza é como é; de onde vem o cosmos, ou se ele sempre esteve

ali; se um dia o tempo irá para trás e os efeitos precederão às causas; ou se há limites definitivos ao que devem saber os

4 humanos. Há até crianças que querem saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço de matéria; por que nos

lembramos do passado, e não do futuro.

__ De vez em quando, tenho a sorte de ensinar em um jardim de infância ou em uma classe do primeiro ano primário.

7 Encontro muitas crianças que são cientistas natos, embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do

ceticismo. São curiosas, têm vigor intelectual. Ocorrem-lhes perguntas provocadoras e perspicazes. Fazem uma série de

perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da ideia de uma “pergunta estúpida”.

10__ Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os Mas, quando falo com estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os

“fatos”, mas, em geral, perderam o prazer do descobrimento, da vida que se oculta por trás desses fatos. Perderam grande

parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas

13 “estúpidas”; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica cheia de olhares

de esguelha para verificar, a cada segundo, a aprovação de seus pares.

__ Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria

16 que é, em parte, a pressão dos companheiros para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade

ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não ajudam ninguém a comprar

um carro esportivo; em parte, que se espere tão pouco dos estudantes.

19__ Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem Mas há algo mais: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem

perguntas científicas. “Por que a Lua é redonda?”, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho?

Até que profundidade se pode cavar um buraco? Muitos pais e professores respondem com irritação ou zombaria, ou

22 mudam rapidamente de assunto: “Como você queria que a Lua fosse? Quadrada?”. As crianças logo reconhecem que, por

alguma razão, esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o

interesse pela ciência. Não entendo por que os adultos fingem saber tudo diante de uma criança de seis anos. O que há de

25 errado em admitir que não sabemos alguma coisa? É tão frágil assim nossa autoestima?

__ Além disso, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não

estão plenamente resolvidos. A grama é verde por causa do pigmento de clorofila, certamente, mas por que as plantas

28 têm clorofila? Parece uma tolice, pois o Sol produz sua máxima energia na parte amarela e verde do espectro. Por que as

plantas de todo o mundo rechaçam a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente

consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.

31__ Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social Existem muitas respostas melhores que dizer à criança que fazer perguntas profundas é uma espécie de erro social

crasso. Se temos uma ideia da resposta, podemos tentar explicá-la. Mesmo que a tentativa seja incompleta, ela

proporciona nova confiança e infunde ânimo. Se não temos nem ideia da resposta, podemos procurá-la em uma

34 enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança à biblioteca. Ou podemos dizer: “Não sei a resposta.

Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa”.

__ Há perguntas ingênuas, perguntas tediosas, perguntas mal formuladas, perguntas expostas com uma inadequada

37 autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para entender o mundo. Não existem perguntas estúpidas.

Carl Sagan. Não existem perguntas imbecis. In: O mundo assombrado pelos demônios:

a ciência vista como uma vela no escuro. Internet: <nerdking.net.br> (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue os itens de 1 a 8.



A palavra “Algo”, em “Algo aconteceu” (início do quarto parágrafo), refere-se ao conjunto de comportamentos descritos no terceiro parágrafo, tais como o fato de os adolescentes ficarem preocupados com a possibilidade de fazer perguntas estúpidas.

Alternativas da questão 2705933
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