Questão 2680773

Atualidades e Conhecimentos Gerais · 2024

Questão

ID 2680773

Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais

Assunto: Desigualdade Social

Ano: 2024 Banca: IBPTEC - Instituto Brasileiro de Pesquisa Tecnologia Ensino e Ciência Órgão: Prefeitura Municipal de Simão Dias


TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 05 a 07

Histórias do garimpo (ONU)

Vidas marcadas pela busca do ouro no Rio Tapajós

No coração da Amazônia, o Rio Tapajós testemunha histórias de garimpeiros, homens e mulheres, submetidos a condições perigosas e precárias.

O Rio Tapajós percorre 840 quilômetros no coração da Amazônia brasileira, atravessando territórios indígenas, parques nacionais, cidades pobres e muitos dos locais de mineração de ouro em pequena escala do Brasil - ou garimpos. Nesse ambiente, onde a extração de ouro é geralmente ilegal, os garimpeiros, homens e mulheres, são submetidos a condições de trabalho precárias e perigosas.

Cerca de 40% de todos os garimpeiros da região podem ser vítimas de tráfico de pessoas para trabalho forçado, de acordo com um estudo pioneiro realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) no Brasil.

Mulheres no garimpo

Os homens geralmente estão envolvidos em atividades diretamente relacionadas à extração de ouro, enquanto as mulheres estão presentes nos garimpos em funções de apoio, como cozinheiras. Nesse contexto social de comunidades de mineração remotas e centradas nos homens, as mulheres também são vulneráveis à exploração sexual na prostituição.

Maria de Fátima, outra migrante interna do Maranhão, não teve uma certidão de nascimento até quase a adolescência: sua idade foi estimada com base em critérios visuais pelo tabelião do cartório. Isso teve um forte impacto emocional em sua vida. Abandonada pela mãe por volta dos 12 anos de idade, Maria de Fátima foi adotada informalmente e sofreu abusos e violência doméstica.

A jovem Maria de Fátima partiu para a região do Tapajós a convite de uma conhecida com ampla experiência em percorrer rotas de prostíbulos nas áreas de garimpo. Evitando atividades relacionadas à prostituição, ela conseguiu um emprego como cozinheira e, desde então, tem circulado por diferentes comunidades de garimpo.

Histórias de vida no garimpo

A vida dos garimpeiros revela histórias únicas de migração interna, distanciamento da família, dívidas, problemas de saúde e o sonho persistente de encontrar ouro. “Às vezes o garimpo traz pouco resultado, tem pouco ouro, mas o garimpeiro continua acreditando que vai melhorar”, diz Clóvis, um homem de 53 anos.

Ele migrou para o Pará de outro estado do Brasil com sua família quando criança e trabalhou em vários empregos antes de se estabelecer, ainda jovem, no garimpo de ouro. Esse se tornou seu projeto de vida e ele se acostumou a viver na floresta tropical.

Sofrendo de um grave problema cardíaco, Clovis vive atualmente em um abrigo público na cidade de Itaituba, onde recebe tratamento médico. Ele afirma que, assim que sua condição melhorar, ele sairá novamente em busca de ouro.

Pouco ouro, muito trabalho

Francisco, de 57 anos, também é um migrante interno. Ele se interessou pelo garimpo depois de ouvir histórias de amigos. Eles o fizeram acreditar que a mineração de ouro lhe traria os recursos necessários para adquirir o equipamento de som que desejava ao voltar para o Maranhão, seu estado natal.

No entanto, 34 anos se passaram sem que Francisco se comunicasse com sua família.

“Entrei no garimpo e pensei que era um jogo em que os homens andavam pelas grotas abrindo folhas, removendo a lama e encontrando ouro. É diferente do que eu pensava.”

Ele conta que sofreu com muitas perdas. “Eu tinha ouro, mas ele estava nas mãos de outras pessoas, embora eu ainda gostasse de garimpar. Eu ganhei o dinheiro, mas não recebi. Ainda estou aqui hoje.”

Projeto Tapajós

O Projeto Tapajós tem como objetivo determinar a prevalência e as causas do tráfico de pessoas para trabalho forçado no setor de mineração de ouro na bacia do Tapajós, no Pará, e implementar intervenções baseadas em evidências para reduzir e prevenir esse crime na região.

(Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/269266- hist%C3%B3rias-do-garimpo. Texto adaptado. Acesso em 24-05-2024).



Uma outra problemática associada ao garimpo ilegal, apontada pela matéria da ONU, é o processo de migração interna em condições precárias, fenômeno histórico e social complexo na realidade brasileira que requer abordagens multifacetadas para sua resolução. Dentre as abordagens viáveis. Se configuram como intervenções eficazes para a solução desse problema social:

- Implementação de políticas públicas eficazes na promoção de um desenvolvimento regional equilibrado, com melhoria da infraestrutura urbana e rural;

II- Garantia de acesso a oportunidades e serviços não essenciais aos migrantes, aproveitando-se os benefícios potenciais da migração interna para o desenvolvimento socioeconômico do país.

III- Melhorar a infraestrutura em áreas rurais e menos desenvolvidas, implementando políticas de reforma agrária de regularização fundiária, moradia e de acesso a água em assentamentos informais.

IV- Incentivar o desenvolvimento de grandes indústrias, para concentrar o capital e serviços em regiões desfavorecidas, favorecendo a criação de empregos e reduzindo a migração forçada.

V- Diminuir as disparidades econômicas entre as diferentes regiões do país, diminuindo gradativamente a necessidade de deslocamento das pessoas em situação de vulnerabilidade de áreas menos desenvolvidas para áreas onde acreditam poder obter uma renda melhor.

Estão INCORRETAS:

Alternativas da questão 2680773
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