Questão
ID 2665701Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Regra Geral
Ano: 2016 Banca: Instituto Machado de Assis Órgão: Prefeitura Municipal de Tufilândia
AS QUESTÕES 1 A 10 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
- Para muitos, ciência e religião estão permanentemente em guerra. Desde a famosa crise
- entre Galileu Galilei e a Inquisição, no século 17, quando o cientista foi forçado a abjurar sua
- convicção de que o Sol e não a Terra era o centro do cosmo, razão e fé aparentam ser incompatíveis.
- Aos crentes, a religião oferece não só apoio espiritual em momentos difíceis e uma comunidade
- fraterna e acolhedora, mas também respostas a questões de caráter fundamental e misterioso, como a
- origem do Universo, da vida ou da mente.
- Na sua maioria, as respostas são relatadas em textos sagrados, escritos por homens que
- recebem a sabedoria por meio de um processo de revelação sobrenatural, de Deus (ou dos deuses)
- para os profetas. Para as pessoas de fé, é absurdo contestar a veracidade desses textos, visto que são
- expressão direta da palavra divina.
- A atitude descrita acima faz parte da ortodoxia de muitas religiões. Nem todos os crentes
- adotam uma posição tão radical com relação à veracidade, ou literalismo, dos textos sagrados. Uma
- posição mais comum é interpretar os textos como representações simbólicas, um corpo de narrativas
- dedicadas a construir uma realidade espiritual baseada em certos preceitos morais. Galileu criticou os
- teólogos católicos, dizendo que a função da Bíblia não é explicar os movimentos dos planetas, mas
- como obter a salvação eterna. ("Não é explicar como os céus vão, mas como se vai para o Céu.")
- A adoção de uma postura menos ortodoxa permite uma visão de mundo menos radical, onde
- a religião e a ciência podem viver em harmonia, cada uma cumprindo sua missão social. O conflito
- entre as duas não é, de forma alguma, necessário. Basta saber distinguir o que uma ou outra pode e
- não pode fazer. Isso serve também aos cientistas, em especial aos que têm atitudes ortodoxas contra a
- religião.
- Acho extremamente ingênuo imaginar ser possível um mundo sem religião. Ingênuo e
- desnecessário. A função da ciência não é tirar Deus das pessoas. É oferecer uma descrição do mundo
- natural cada vez mais completa, baseada em experimentos e observações que podem ser repetidos ou
- ao menos contrastados por vários grupos. Com isso, a ciência contribui para aliviar o sofrimento
- humano, seja ele material ou de caráter metafísico.
- A distinção essencial entre ciência e religião está no que cada uma delas pressupõe ser a
- natureza da realidade. Enquanto a religião adota uma realidade sobrenatural coexistente e capaz de
- interferir com a realidade natural, a ciência aceita apenas uma realidade, a natural. Aqui aparece a
- razão principal do conflito entre as duas. Para a ciência não é preciso supor que o que ainda não é
- acessível ao conhecimento necessite de explicação sobrenatural. O que não sabemos hoje pode, em
- princípio, vir a ser explicado no futuro. Em outras palavras, a ciência abraça a ignorância, o não-
- saber, como parte necessária de nossa existência, sem lançar mão de causas sobrenaturais para
- explicar o desconhecido.
- Sem dúvida, esse tem sido o seu caminho: explicar de forma clara e racional um número
- cada vez maior de fenômenos naturais, do funcionamento dos átomos à formação de galáxias e a
- transmissão do código genético entre os seres vivos. As tecnologias que tanto definem a vida
- moderna, da revolução digital aos antibióticos, dos meios de transporte ao uso da física nuclear no
- tratamento do câncer, são fruto desse questionamento. Negar isso é tentar olhar para o mundo de
- olhos fechados.
- A conciliação entre ciência e religião só ocorrerá quando ficar claro o papel social de cada
- uma. Negar uma ou outra é ignorar que o homem é tanto um ser espiritual quanto racional.
Marcelo Geiser
Assinale a alternativa em que as regras da concordância foram cumpridas: