Questão
ID 2659501Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Assunto: Educação
Ano: 2016 Banca: UNIMONTES Órgão: Prefeitura Municipal de Guaraciama
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto abaixo para responder às questões que se seguem.
A pátria que deseduca
1----A quem interessa um povo que não sabe raciocinar, não sabe ler, não sabe escrever, não sabeA quem interessa um povo que não sabe raciocinar, não sabe ler, não sabe escrever, não sabe
argumentar? A ninguém, apenas a ditadores. Por isso, até em benefício próprio, para marcar seu nome na
História, a presidente Dilma Rousseff escolheu um slogan apropriado para seu segundo mandato: “Brasil,
pátria educadora”. Ela ainda não sabia que o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de
5 2014 mostraria o fracasso de seu primeiro mandato na Educação, quando teve três ministros na Pasta. Mais
de meio milhão de jovens tirou nota zero na redação – cuja nota máxima era 1.000.
A palavra para definir a nota zero da redação, nessa escala, é “catástrofe”. De 2013 para 2014, o
número de zeros na dissertação do Enem quase quintuplicou. Não relativizem o resultado. Uns dizem que o
tema “ética na publicidade infantil” era difícil. Outros, que os corretores foram rigorosos demais. Ainda há
10 os que não acham importante uma dissertação no Enem. O ministro da Educação, Cid Gomes, minimiza a
queda nas notas de português e matemática: “O que é importante é a média. Na média, menos 1% está na
margem de erro”. A média é um recurso medíocre para justificar o injustificável. Quando viu o resultado
pior dos alunos de escolas estaduais, Cid Gomes admitiu: “Não dá para fugir, camuflar ou tentar dizer que o
ensino público é bom. O ensino público brasileiro está muito aquém do desejável”.
15 --O vexame não surpreende a quem vive da palavra escrita e oral. A língua portuguesa é achincalhadaO vexame não surpreende a quem vive da palavra escrita e oral. A língua portuguesa é achincalhada
por nossos presidentes, ministros, governadores, senadores, deputados, executivos, empresários e, claro,
pela população em geral. Ortografia, concordância e regência verbal erradas, vocabulário pobre e ausência
de um pensamento coerente. Não é preciso ir à Europa para encontrar povos que se expressam direito em
sua língua materna. Basta ir à Argentina. Com toda a crise de nossos hermanos e a decadência de suas
20 universidades, ali está um povo articulado, que sabe ler e escrever, e tem um raciocínio com começo, meio e
fim. Não há analfabetos funcionais concluindo o ensino médio.
O que aconteceu no Enem de 2014? Ao todo, 8,7 milhões de alunos da última série do ensino médio
inscreveram-se no concurso. Mas só 6,2 milhões apareceram no exame. A nota máxima de cada prova é
1.000. Só 250 tiraram a nota máxima na redação e 529.374 alunos tiraram zero. Desses, 280.903 entregaram
25 a prova em branco porque não faziam a menor ideia de nada. Dos outros zeros, 217.300 fugiram ao tema
(talvez inspirados em nossos políticos, que fazem o mesmo nos debates), 13 mil copiaram o texto
motivador, 7.800 escreveram menos de sete linhas, 3.300 incluíram textos desconectados, 955 ofenderam os
direitos humanos. A média em matemática também ficou abaixo da metade, 476,6 pontos. No meu tempo,
abaixo de 5 significava reprovação. Mas “reprovação” virou tabu na pátria do PT, desde Lula, que nunca
30 achou grande coisa saber português ou gostar de ler.
Em artigo para o jornal O Globo, a filósofa Tânia Zagury diz: “Só de ouvir falar em reforma na
educação, eu me arrepio”. Após mais de 40 anos de trabalho na área, ela afirma que cada programa reativa o
que foi banido, joga no lixo as cartilhas, abandona boas ideias, mas mantém algo sempre: a queda da
qualidade no ensino. A última “revolução” foi a “progressão continuada”, o que, traduzindo em bom
35 português, significa aprovação automática. Para “camuflar” a repetência no 1.º ano e evitar evasão escolar.
A repetência aumentou no 6.º ano, quando acabava a aprovação automática. O que foi feito para resolver “o
probrema”? Os professores são pressionados a não reprovar. “Teria sido lindo aprovar todo mundo se não
tivesse sido à custa do saber”, diz Tânia. Todos se formam, ficam felizes, o governo de Dilma ainda mais
porque exibe estatísticas infladas. E não se aprofunda nenhum conhecimento.
40 --Esse não é um destino inescapável. Esse não é um destino inescapável. Slogans e discursos não bastam para educar crianças e jovens.
Menos roubo e desvios na verba para escolas, uma gestão responsável e focada no ensino fundamental, base
de tudo, a valorização do professor em salário e autoridade e maior participação da família. A receita é
conhecida. O Brasil só não a adotará se houver a intenção oficial de tirar proveito de um povo sem
instrução. Escolas não são fábricas. Dói imaginar que o objetivo seja formar cidadãos que não pensem, não
45 leiam, não escrevam, não critiquem. Uma triste linha de montagem destinada a ser manipulada.
O resultado da falta de educação é, além do subemprego, essa multidão de menores carentes que
depredam ônibus, assaltam e matam, rindo, sem dar valor ao patrimônio e à vida. Por enquanto, o Brasil é
uma pátria que deseduca.
(AQUINO, Ruth. A pátria que deseduca, Revista Época, 16 de janeiro de 2016.)
De acordo com os argumentos da autora, entre os fatores que afetam a qualidade da educação brasileira, NÃO se encontra: