Questão 2647643

Língua Portuguesa · 2018

Questão

ID 2647643

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Carlos Drummond de Andrade

Ano: 2018 Banca: ASSESSORIA E GESTÃO INTEGRADA EM RECURSOS HUMANOS S/C LTDA. ME Órgão: Prefeitura Municipal de Cachoeira Paulista


Leia atentamente o poema José, publicado em 1942 e escrito por Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro, para responder às questões de 1 a 3.

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?



Leia atentamente as afirmações a seguir:

I – Ao longo do poema, é possível considerar que José representa não apenas um indivíduo isolado, mas também uma coletividade. Prova disso são os versos “e agora, José?/ e agora, você?/ você que é sem nome,”.

II – O tema central do poema é a solidão do homem, sua falta de espaço e a profunda angústia e desilusão pela vida, relacionadas ao contexto histórico da elaboração do poema.

III – Na quinta estrofe, o eu lírico lista algumas hipóteses, por meio de formas verbais no pretérito perfeito do subjuntivo, de possíveis soluções para a solidão e desilusão do interlocutor. Essas soluções, porém, nunca se concretizam; elas são interrompidas, ficam em suspenso, e isso é comprovado pelo uso das reticências.

É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):

Alternativas da questão 2647643
Pular para o conteúdo principal