Questão
ID 2645537Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Narrador
Ano: 2019 Banca: UEG - Universidade Estadual de Goiás / Núcleo de Seleção Órgão: Prefeitura Municipal de Paraúna
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 5.
Capítulo L / Virgília Casada
- _____– Quem chegou de São Paulo foi minha prima Virgília, casada com o Lobo Neves – continuou Luís
- Dutra.
- _____– Ah!
- _____– E só hoje é que eu soube uma coisa...
- _____– Que foi?
- _____– Que você quis casar com ela.
- _____– Ideias de meu pai. Quem lhe disse isso?
- _____– Ela mesma. Falei-lhe muito em você, e ela então contou-me tudo.
- _____No dia seguinte, estando na Rua do Ouvidor, à porta da tipografia do Plancher, vi assomar, a
- distância, uma mulher esplêndida. Era ela; só a reconheci a poucos passos, tão outra estava, a tal ponto a
- natureza e a arte lhe haviam dado o último apuro. Cortejamo-nos; ela seguiu; entrou com o marido na
- carruagem, que os esperava um pouco acima; fiquei atônito.
- _____Oito dias depois, encontrei-a num baile; creio que chegamos a trocar duas ou três palavras. Mas
- noutro baile, dado daí a um mês, em casa de uma senhora, que ornara os salões do primeiro reinado, e
- não desornava então os do segundo, a aproximação foi maior e mais longa, porque conversamos e
- valsamos. A valsa é uma deliciosa coisa. Valsamos; não nego que, ao conchegar ao meu corpo aquele
- corpo flexível e magnífico, tive uma singular sensação, uma sensação de homem roubado.
- _____– Está muito calor – disse ela, logo que acabamos. – Vamos ao terraço?
- _____– Não; pode constipar-se. Vamos a outra sala.
- _____Na outra sala estava Lobo Neves, que me fez muitos cumprimentos, acerca dos meus escritos
- políticos, acrescentando que nada dizia dos literários por não entender deles; mas os políticos eram
- excelentes, bem pensados e bem escritos. Respondi-lhe com iguais esmeros de cortesia, e separamo-nos
- contentes um do outro.
- _____Cerca de três semanas depois recebi um convite dele para uma reunião íntima. Fui; Virgília
- recebeu-me com esta graciosa palavra: – O senhor hoje há de valsar comigo. – Em verdade, eu tinha
- fama e era valsista emérito; não admira que ela me preferisse. Valsamos uma vez, e mais outra vez. Um
- livro fez Francesca perder seus pudores; cá foi a valsa que nos perdeu. Creio que essa noite apertei-lhe a
- mão com muita força, e ela deixou-a ficar, como esquecida, e eu a abraçá-la, e todos com os olhos em
- nós, e nos outros que também se abraçavam e giravam... Um delírio.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Scipione, 1994. p. 62-3. (Adaptado).
Considerando-se os aspectos formais, constata-se que o texto