Questão 262057

Língua Portuguesa · 2025

Questão

ID 262057

Disciplina: Língua Portuguesa

Assuntos: Intencionalidade, Poesia Marginal, Pré-modernismo

Ano: 2025 Banca: IDECAN - Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional Órgão: Secretaria de Estado da Educação da Paraíba


• Texto para as questões de 66 a 70.


A Draga


A gente não sabia se aquela draga tinha nascido ali, no Porto, como um pé de árvore ou uma duna.

- E que fosse uma casa de peixes? Meia dúzia de loucos e bêbados moravam dentro dela, enraizados em suas ferragens.

Dos viventes da draga era um o meu amigo Mário-pega-sapo.

Ele de noite se arrastava pela beira das casas como um caranguejo trôpego.

À procura de velórios.

Os bolsos de seu casaco andavam estufados de jias.

Ele esfregava no rosto as suas barriguinhas frias.

Geleia de sapos!

Quando Mário morreu, um literato oficial, em necrológio caprichado, chamou-o de Mário-Captura-Sapo!

Ai que dor!

Ao literato cujo fazia-lhe nojo a forma coloquial.

Queria captura em vez de pega para não macular (sic) a língua nacional lá dele...

O literato cujo, se não engano, é hoje senador pelo Estado.

Se não é, merecia.

A vida tem suas descompensações.

Da velha draga,

Abrigo de vagabundos e de bêbados, restaram as expressões: estar na draga, viver na draga por estar sem dinheiro, viver na miséria

Que ofereço ao filólogo Aurélio Buarque de Holanda

Para que as registre em seus léxicos

Pois o povo já as registrou.


BARROS, M. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990 (fragmento Adaptado).

Por meio da intencionalidade discursiva do poema A Draga, a poética de Manoel de Barros pode ser caracterizada como

Alternativas da questão 262057
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