Questão
ID 2610635Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Inferência Textual
Ano: 2017 Banca: INSTITUTO EXCELÊNCIA Órgão: Prefeitura Municipal de Porto União
Leia o texto e responda as questões 17,18,19 e 20.
Texto 02
A ‘profecia’ de Carlos Drummond de Andrade sobre o
desastre do Rio Doce.
A vida imita a arte: pouco antes de sua morte, o mineiro Carlos Drummond de Andrade publicou o poema que parece ser o retrato do desastre que destruiu o Rio, antes doce. Leia a íntegra:
O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade foi considerado um dos mais influentes do século 20. Ao longo de seus 85 anos publicou mais de 30 livros de poemas, e quase 20 de prosa, além de integrar antologias poéticas e produzir histórias infantis. Porém, não imaginava que ao publicar o poema Lira Itabirana estaria prevendo um dos maiores, quiçá o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento das barragens da Vale-Samacro em Minas Gerais.
Há dias o Brasil vive uma de suas maiores tragédias. A irresponsabilidade da empresa Vale-Samacro pode resultar no fim do Rio Doce, que, com seus 853 km de extensão, banha os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
A Vale do Rio Doce-Samarco foi instalada na região no pelas reservas de ferro, se estabeleceram na cidade natal do poeta, Itabira. Poucos anos antes de sua morte, em 1984, Drummond publicou o poema que parece ser o retrato do desastre que destruiu o Rio, antes doce. Leia a íntegra abaixo.
“Lira Itabirana”
I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
SERAFINI, Mariana. A ‘profecia’ de Carlos Drumond de Andrade sobre a tragédia
do Rio Doce. In Pragmatismo Político. Publicado em 24 de Novembro de 2015.
Disponível em: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/11/a-profecia-de-
carlos-drummond-de-andrade-sobre-o-desastre-no-rio-doce.html
De acordo com as afirmativas, assinale a alternativa que contenha somente alternativas verdadeiras:
I) Um poema não precisa ter rimas para ser considerado como tal. O poema “ Lira Itabiriana” pode ser considerado um poema sem rimas.
II) Na cidade natal do poeta, as empresas atraídas pelas reservas de ferro começaram a chegar na década de 1940.
III) No poema , Drummond, de maneira poética diz que a exploração dos minérios do Rio Doce pode nos mostrar uma face “amarga” e gerar sofrimentos as pessoas não só ligadas ao rio, mas a todas as pessoas que se preocupam com questões ambientais. “Quantas toneladas exportamos/ De ferro?/ Quantas lágrimas disfarçamos/ Sem berro?”. Não diz, o poeta, de maneira clara que tragédia viria acontecer, mas já sabia que esta era uma atividade que iria gerar muitos danos e sofrimento na natureza e nas pessoas, que também são parte da natureza.