Questão 2605615

Língua Portuguesa · 2020

Questão

ID 2605615

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Fatores de Mesóclise

Ano: 2020 Banca: VUNESP - Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista Órgão: Antônio Cândido de Camargo Cancer Center


Para responder às questões de números 02 a 08, leia um trecho da entrevista com o sociólogo italiano Domenico De Masi.

Combatendo o ócio depressivo

Em seu livro “Uma Simples Revolução”, o senhor aponta novos rumos para uma sociedade perdida. Para onde ir agora?

A partir dos anos 1980, com Ronald Reagan e Margaret Thatcher, houve uma dissociação entre os sociólogos e os economistas. Os economistas defendiam o mercado, baseados no entrechoque dos egoísmos, e difundiram a ideia de que o crescimento do Produto Interno Bruto pode ser infinito. Os sociólogos, por sua vez, afirmavam que o equilíbrio do planeta é extremamente instável e que nós o estamos colocando em risco. Há muitos anos, o economista Kenneth Boulding escreveu: “Os que acreditam possível o crescimento infinito em um mundo finito ou são loucos ou são economistas”. E o sociólogo Serge Latouche prosseguiu afirmando: “O drama é que já somos todos mais ou menos economistas. Estamos a bordo de um bólido que não tem piloto, nem marcha à ré nem freios, que irá se espatifar contra os limites do planeta”. O que já aconteceu no mundo todo com o coronavírus demonstra que os sociólogos estavam certos.

Neste momento, como transformar o ócio depressivo em ócio criativo?

Nós nos acostumamos a ter muito espaço à nossa disposição e pouco tempo para usufruir dele. Os nossos dias estavam repletos de mil compromissos, muitos dos quais inúteis e sem sentido. Agora, fechados em casa para nos defender do coronavírus, temos muito tempo, mas somos obrigados a permanecer em um espaço mínimo, exatamente como os presidiários. A única coisa que pode nos ajudar é a cultura: artística, científica, religiosa. Já em 1930, o grande economista Maynard Keynes imaginava que, no ano 2000, graças à tecnologia, chegaríamos a trabalhar apenas 15 horas por semana e teríamos muito tempo livre. De que maneira ocupá-lo, como evitar o tédio, a droga, a violência? A depressão? Keynes propunha: “Pela primeira vez desde a sua criação, o homem se encontrará diante do seu verdadeiro problema: como empregar o tempo livre que a ciência e os juros compostos lhe proporcionaram para viver bem, de maneira agradável e com sabedoria?”. E ele respondia que a única salvação está na cultura porque a cultura exige tempo e aplicação, mas não precisa de espaço. Esta é a única maneira pela qual podemos transformar o ócio depressivo em ócio criativo. Evidentemente, quando falo em cultura não entendo sempre e somente cultura acadêmica. Entendo, para cada um de nós, um grau de cultura mais elevado do que o que possuímos. Podemos aproveitar o ócio para crescer culturalmente: lendo, ouvindo música, escolhendo programas inteligentes na TV, dialogando pelo telefone ou pelo Skype com pessoas mais inteligentes e mais cultas.

(Maria Fernanda Rodrigues. O Estado de S. Paulo. Tradução de Anna Capovilla. Adaptado)



Leia as frases.

• Em relação à cultura, De Masi tem considerado a cultura um recurso essencial para enfrentar o ócio depressivo.

• Segundo Keynes, com 15 horas de trabalho, teríamos muito tempo livre, mas como iríamos administrar esse tempo livre?

De acordo com o emprego e a colocação dos pronomes estabelecidos pela norma-padrão, os trechos destacados podem ser substituídos por

Alternativas da questão 2605615
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