Questão
ID 2602103Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Uso de Sinônimos
Ano: 2018 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Câmara Municipal de Triunfo
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Sem Palavras
- Assim como os nossos antepassados encontraram no Oriente Próximo tábuas desenhadas
- na ar__ila úmida, escritas por volta de 3000 a.C., os arqueólogos do amanhã, ao vasculharem
- os restos da nossa era, se debruçarão ansiosos sobre o significado dos emojis – os ícones
- estili__ados mais trocados no mundo contemporâneo.
- Trata-se daquelas carinhas com expressões variadas, corações partidos e íntegros, além
- de outras 3 mil versões catalogadas que passamos a utilizar universalmente nas curtas
- mensagens via WhatsApp, Twitter, Facebook e e-mail que enviamos cotidianamente. Somente
- no Messenger, aplicativo do Facebook, mais de 5 bilhões de emojis são enviados por dia.
- Os sábios do futuro ficarão certamente intrigados, caso consigam decodificar o conteúdo
- digital dos tablets, computadores e celulares – como já o fizeram seus colegas precedentes diante
- de monumentos, tábuas, sinetes e papiros: afinal, que tipo de cultura articulou essa linguagem?
- Eis que, com o advento dos emojis – do japonês 絵 “e”, imagem; 文字 “moji”, caractere –
- estamos mais uma vez diante de uma nova velha língua baseada em pictogramas, forma de
- escrita pela qual ideias são transmitidas através de desenhos. A mesma tradição dos hieróglifos
- e ideogramas, cujo impacto na cultura ocidental levou filósofos e escritores (de Leibniz a Pound)
- a sonharem com a possibilidade de uma “língua universal”, tão funcional quanto poética.
- Em todo pictograma desponta uma relação entre a linguagem verbal e a não verbal, além
- de outras variáveis potentes na equação apresentada pelos emojis: emoções, afetos e humor.
- Esses últimos ingredientes, em especial, os inserem na mesma linha evolutiva dos memes e dos
- gifs animados, tão populares na rede, o que faz dessas figurinhas carimbadas digitalmente
- elementos, no mínimo, um pouco mais sofisticados do que se imaginaria.
- E aqui basta evocar as recentes rodopiadas do jogador Neymar, da Seleção Brasileira,
- quando era derrubado pelos implacáveis adversários nos gramados da Copa do Mundo da Rússia.
- Instantaneamente, suas contor__ões um tanto dramáticas foram replicadas por meio de memes
- divertidos, seja em anúncios publicitários nos EUA, seja numa campanha contra trotes aos
- serviços públicos lusitanos.
- Referindo-se às imagens em geral, e não especificamente aos emojis, Ivana Bentes
- enfatiza que elas nunca foram investidas de tanto valor quanto hoje, inclusive o afetivo, e que
- “precisam ser pensadas do ponto de vista estético, econômico e como modo de produção de uma
- nova sociabilidade”. Pois é nesse caldo de cultura que emer__iram os emojis.
- Os emojis, como toda linguagem, são uma convenção, um acordo com uma margem
- controlada para a criação. Mas apesar da limitação de escolha e da banalidade de alguns ícones,
- essas pequenas doses de emoção não deixam de quebrar a linearidade, a passividade e a frieza
- lógica inerente à estrutura da comunicação em rede. Emojis instauram reações inusitadas,
- causam espanto, frisson, afetos.
- Além do afeto, desponta o humor. Os memes (herdeiros dos cartuns da era
- gráfica/analógica), os gifs animados (que repetem indefinidamente alguns poucos frames) e os
- emojis, compõem uma tríade, um conjunto de fragmentos, pequenos pedaços de realidades e
- memórias emocionais e lúdicas, que nos colocam dentro dos fenômenos exatamente pelos
- exageros caricaturais e pelo riso.
- Por fim, vale lembrar de uma das máximas do nosso Millôr Fernandes (1924-2012),
- escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, pintor, cartunista, chargista, poeta e criador de
- haikais. Sempre que a relação entrava em discussão, Millôr reagia com esse
- desafio inspirado: “Se uma imagem vale mais que mil palavras, diga isto sem palavras”.
(Silvio Mieli – Revista da Cultura - Disponível em www.livrariacultura.com.br – adaptação)
Na linha 09, poderíamos substituir corretamente o vocábulo “intrigados”, sem que haja alteração do sentido do texto, por: