Questão
ID 2601962Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Efeitos de Sentido Decorrentes da Mudança na Pontuação
Ano: 2018 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Câmara Municipal de Triunfo
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Trabalhar menos pode ser uma boa opção?
- Tem muito a se refletir sobre a notícia de que o Japão está pedindo que os trabalhadores tirem
- uma manhã de folga e, consequentemente, avisando aos empresários que, embora não seja uma
- lei, esta deverá ser a diretriz de agora em diante no país. Importante lembrar que estamos falando
- sobre a terceira economia do mundo, com um montante de US\$ 5,1 trilhões.
- Lembrei-me do livro "The New Economics", lançado em 2009 por dois britânicos, com
- propostas bem determinadas sobre como deveria ser um novo sistema ___ luz do
- desenvolvimento que leve em conta não só o lucro, mas também as pessoas. Para os autores,
- trabalhar menos horas vai fazer com que as pessoas tenham melhor qualidade de vida e também
- ajudará a se diminuir a fila do desemprego em países que convivem com esse problemão. "No
- coração das transformações progressistas está uma mudança de como nos vemos como cidadãos:
- de passivos consumidores ___ produtores ativos. Ao optarmos por trabalhar menos horas ou dias
- da semana, por exemplo, vamos ter um duplo benefício. Mais tempo livre para melhorar a nossa
- qualidade de vida, sim, é um excelente resultado. Como também abrirmos mais janelas para
- aqueles que não têm emprego nem chance de ganhar um tostão sequer", escrevem eles.
- Sim, é preciso levar em conta que, ao optarmos por trabalhar menos vamos também diminuir
- nossa renda que ganhamos com o trabalho. Mas, com mais tempo para nós, sonham os autores,
- sobrariam situações em que poderíamos, até mesmo, confeccionar coisas pelas quais pagamos
- por falta de tempo para fazer. Talvez possamos incluir entre elas a comida, embora aí outra roda
- do setor poderá ser impactada, a dos restaurantes que vivem de oferecer comida barata a
- trabalhadores.
- O objetivo, no entanto, das pessoas que pensam esta nova economia é encorajar diferentes
- formas de divisão e reciprocidade que possam ir, gradualmente, deslocando a esteira que torna
- necessária a acumulação de dinheiro. Assim como, acreditam eles, com mais horas livres os
- trabalhadores fatalmente acabarão buscando novas formas de lazer cultural, o que os tornará
- pessoas diferentes, sem tanta necessidade de consumir.
- Há, aí, uma tremenda diferença para a proposta japonesa. Nas terras orientais a redução do
- trabalho está sendo uma iniciativa tomada para encorajar, justamente, o consumo, dizem os
- especialistas ouvidos pela agência de notícias BBC. Será mesmo necessário este argumento para
- a terceira economia do mundo? A resposta a esta pergunta pode estar na preocupação do próprio
- governo japonês com as doenças provocadas pelo excesso de trabalho em sua população. Só no
- ano passado, 217 pessoas morreram porque não conseguiram organizar um tempo para si e
- entregaram-se de cabeça ao trabalho quase 24 horas por dia. Além disso, os suicídios estão
- aumentando por causa do exagerado rigor japonês ao cumprir mais do que as tarefas que lhes
- são normalmente impostas.
- Já faz uma década que os britânicos pensadores da Nova Economia perceberam a ligação
- direta entre o bem estar e o trabalho. Para eles, a economia cresce – e aí será possível falar num
- desenvolvimento verdadeiramente sustentável – se os trabalhadores conseguirem criar e se eles
- forem desafiados num ambiente mais ameno. Mais ainda se for dado a eles mais tempo para
- fazer outras coisas, quem sabe até mesmo ter outro trabalho completamente diferente e que,
- talvez, o deixe mais feliz em algumas horas do dia.
- Há, portanto, segundo os estudiosos que buscam brechas para propor mudanças no sistema
- atual levando em conta o tripé – social, econômico e ambiental – um jeito diferente de enxergar
- o trabalho. É claro que estamos aqui fazendo referências ___ duas economias que não precisam
- se preocupar com taxas de desemprego. Números oficiais revelaram 1,5 milhão de jovens sem
- ocupação no país britânico, cuja população excede os 60 milhões. No Japão, esta taxa não chega
- a 3%.
Adaptado de: https://g1.globo.com/natureza/blog/amelia-gonzalez/post/2018/08/22/trabalhar-menos-pode-ser-uma-boa-opcao.ghtml
Sobre o uso de pontuação no texto, analise as seguintes assertivas e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Na linha 13, o ponto final poderia ser substituído por vírgula, com as devidas adequações, sem acarretar prejuízo à semântica e à sintaxe da frase.
( ) Para haver pontuação correta no período das linhas 15 e 16, faz-se necessário o emprego de uma vírgula após a palavra ‘menos’, separando a oração subordinada reduzida adverbial temporal.
( ) Na linha 41, se colocássemos uma vírgula após ‘estudiosos’, não acarretaria mudanças no período.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: