Questão 2575477

Língua Portuguesa · 2022

Questão

ID 2575477

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2022 Banca: VUNESP - Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista Órgão: Faculdade de Medicina de Marília


Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 15. Trata-se da apresentação de um tipo de recurso falacioso, utilizado por argumentadores para enganar seus interlocutores.

Argumento ad verecundiam (apelo à autoridade, dirigido ao sentimento de honra).

Em vez de fundamentos, utilizamos autoridades, especialistas, segundo os conhecimentos do adversário. Diz Sêneca: “qualquer um prefere crer a julgar por si mesmo”. Portanto, o jogo nos é mais fácil quando temos de nosso lado uma autoridade respeitada pelo adversário. E para este haverá tanto mais autoridades válidas quanto mais limitados sejam seus conhecimentos e suas capacidades. Se essas capacidades são de primeira ordem, haverá para ele muito poucas autoridades ou quase nenhuma. Quando muito, ele respeitará a autoridade de pessoas competentes numa ciência, arte ou profissão que para ele sejam pouco conhecidas ou de todo ignoradas; e mesmo assim com desconfiança.

Em contrapartida, as pessoas comuns têm profundo respeito ante os especialistas de todo gênero; para o vulgo há muitas autoridades que gozam de seu respeito; portanto, se não encontramos nenhuma autoridade adequada, podemos apelar a uma aparentemente adequada, ou citamos o que alguém disse com outro sentido ou num contexto diferente. E são as autoridades que o adversário não entende aquelas que, geralmente, mais efeito obtêm. Pode-se também, caso necessário, falsificar as autoridades e inclusive citar algumas que são pura invenção.

A maior parte das pessoas pensa, com Aristóteles, que “as coisas que parecem justas a muitos, dizemos que o são”. De fato, não existe nenhuma opinião, por absurda que seja, que os homens não se lancem a torná-la sua, tão logo se tenha chegado a convencê-los de que é universalmente aceita. A universalidade de uma opinião, se falamos a sério, não é uma prova nem um indício de veracidade. O que se chama opinião geral reduz-se, para sermos precisos, à opinião de duas ou três pessoas; e ficaríamos convencidos disso se pudéssemos ver a maneira como nasce tal opinião universalmente válida. Então descobriríamos que, num primeiro momento, foram dois ou três que pela primeira vez a assumiram e apresentaram ou afirmaram, e que os outros foram tão benevolentes com eles que acreditaram que as haviam examinado a fundo; prejulgando a competência destes, outros aceitaram igualmente essa opinião, e nestes acreditaram por sua vez muitos outros a quem a preguiça mental impelia a crer de pronto, antes que tivessem o trabalho de examinar as coisas com rigor. Assim cresce, dia após dia, o número de tais seguidores preguiçosos e crédulos.

Em suma, são muito poucos os que podem pensar, mas todos querem ter opiniões. E que outra coisa lhes resta senão tomá-las de outros em lugar de formá-las por conta própria?

(Arthur Schopenhauer. Como vencer um debate sem precisar ter razão. Adaptado)



Uma das análises do autor, que se destaca no quarto parágrafo, está focada

Alternativas da questão 2575477
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