Questão
ID 2564516Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Comparação
Ano: 2021 Banca: Legalle Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Porto Lucena
Para responder às questões de 01 a 10, leia o texto abaixo.
g
O padeiro
g
- Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a
- chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do
- apartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No
- mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa
- nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido".
- De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve
- dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno;
- acham que obrigando o povo a tomar seu café da
- manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o
- 10 que do governo.
- Está bem. Tomo o meu café com pão dormido,
- que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou
- me lembrando de um homem modesto que conheci
- antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do
- apartamento ele apertava a campainha, mas, para não
- incomodar os moradores, avisava gritando:
- - Não é ninguém, é o padeiro! Interroguei-o uma
- vez: como tivera a idéia de gritar aquilo?
- "Então você não é ninguém?"
- Ele abriu um sorriso largo. Explicou que
- aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe
- acontecera bater a campainha de uma casa e ser
- atendido por uma empregada ou outra pessoa
- qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro
- perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o
- atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não
- senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não
- era ninguém...
- Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se
- despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para
- explicar que estava falando com um colega, ainda que
- menos importante. Naquele tempo eu também, como
- os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela
- madrugada que deixava a redação de jornal, quase
- sempre depois de uma passagem pela oficina - e
- muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros
- exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da
- máquina, como pão saído do forno.
- Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E
- às vezes me julgava importante porque no jornal que
- levava para casa, além de reportagens ou notas que
- eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo
- com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem
- cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração
- eu recebi a lição de humildade daquele homem entre
- todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o
- padeiro!"
- E assobiava pelas escadas. SONDA BRONA
g
Autor: Rubem Braga (adaptado)
Levando-se em consideração as inúmeras figuras de linguagem existentes, é CORRETO afirmar que em o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno (l.37-38) há uma figura denominada: