Questão
ID 2530279Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Possibilidades de Paralelismo
Ano: 2018 Banca: FAURGS - Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Órgão: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Instrução: As questões 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
- Ser dono da bola dava a Ramon certos privilégios.
- Um deles era o de determinar que o jogo só começasse
- após ele contar uma história de seu livro de autores
- latinos. Essa condição, muito antes de soar antipática,
- a Roberto sempre serviu de estímulo à sua curiosidade
- por aprender coisas novas. Ele havia sido acolhido pela
- família de Ramon quando, junto aos irmãos e ____
- mãe, chegou fugido do Brasil, no final dos anos 1960.
- A viagem levara horas até a cidade argentina de San
- António, na província de Misiones, divisa com o estado
- do Paraná, onde Roberto nascera e do qual partiram
- no meio da noite. “Conheci toda a América do Sul com
- aquele livro”, conta Roberto, que na época tinha menos
- de dez anos. Tudo ia bem até o momento em que ele
- foi convidado pelo dono da bola para falar alguma coisa
- sobre Monteiro Lobato, autor brasileiro que escrevera
- a história que ele escolhera para ler naquele dia. “Foi a
- primeira vergonha que eu passei. Eu não podia falar
- nada sobre Monteiro Lobato, nem sabia quem era”. Por
- outro lado, a partir daquele episódio, Roberto passou a
- ler tudo o que lhe passasse pela frente.
- Quando voltaram para o Brasil, depois de dois anos
- e oito meses, foram morar num lugarejo no interior do
- Paraná, em Pranchita. A vontade de ler o acompanhava,
- mas os parcos recursos da família não permitiam que
- comprasse livros. Ele e um amigo, Romário, costumavam
- passar horas frente ____ vitrine de uma livraria no
- centrinho da cidade, apreciando as capas de gibis e livros
- de literatura. Receosos de que os mandassem sair dali,
- ____ poderiam estar sujando o vidro que era cuidadosamente
- esfregado por uma senhorinha, eles mantinham
- as mãos para trás. Até que certa manhã o dono da
- livraria, um italiano magro e alto, saiu e perguntou
- aos meninos o que eles queriam. A primeira reação foi
- sair correndo. Três dias depois, eles voltaram, e o
- proprietário do estabelecimento refez a pergunta.
- Então os garotos comentaram a respeito de um gibi que
- há seis meses estivera exposto na vitrine. Gentilmente
- foram convidados a entrar para ler o que quisessem –
- hábito que mantiveram ao longo de quatro anos.
- “Ele nunca nos pediu nada em troca”, rememora
- Roberto. Antes ____ abrissem o primeiro gibi, no
- entanto, receberam instruções minuciosas de como
- folhear sem deixar dobras ou marcas nas páginas; tudo
- deveria ficar como novo, pronto para a venda.
- Hoje Roberto Sampaio tem pouco mais de 56 anos, é
- conselheiro tutelar em Taquara, no interior do Rio Grande
- do Sul, e pintor de parede por ofício, como gosta de dizer.
- Aos 32 anos começou a ficar decepcionado consigo
- mesmo por ainda não ter conseguido cumprir o sonho
- que acalentava desde os 12 anos de idade: montar uma
- biblioteca aberta ao público, quando tivesse um acervo
- de quatro mil livros. Depois de anos guardando em todas
- as peças da casa os títulos que conseguiu por meio de
- doações, no dia 28 de setembro de 1988 ele pendurou
- na fachada de sua casa: Biblioteca Amigos do Livro. Eram
- 10 horas da noite, e Roberto estava realizado.
Adaptado de: O homem que não conhecia Machado de Assis
e outras histórias. Jornal da Universidade. Caderno JU. n. 49,
ed. 203, jul. 2017.
A substituição de dono (l. 32) por dona acarretaria a modificação, para fins de concordância, de quantas outras palavras no seguimento que vai da linha 32 à linha 34?