Questão 2528369

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 2528369

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Pressupostos e Subentendidos

Ano: 2016 Banca: FCC - Fundação Carlos Chagas Órgão: Secretaria Municipal de Finanças de Teresina


Instruções: Leia atentamente o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 6.

1___ Todos lembram o ato de nascimento, se não dos próprios intelectuais, ao menos da palavra “intelectual”. Foi durante o

caso Dreyfus, quando, após o célebre artigo de Émile Zola em L’Aurore, “J’accuse...” (janeiro de 1898), exigindo a revisão do

processo de Dreyfus, oficial judeu injustamente condenado por alta traição, aparecem listas de apoio a essa iniciativa

assinadas por escritores (como Anatole France, Marcel Proust, André Gide, Charles Péguy), um músico (Albéric Magnard),

5 cientistas (Jean Perrin), mas também professores, estudantes, arquitetos, advogados, médicos etc. É Maurice Barrès,

antidreyfusista, que qualifica essa iniciativa, por derrisão, de “protesto dos intelectuais”, palavra nova e que se quer pejorativa,

mas que é imediatamente retomada pelos interessados. Desde essa época, e ao longo de todo o século XX, a palavra refere-

se àqueles que, exercendo uma atividade intelectual, usam seu prestígio adquirido nessas atividades para intervir no debate

público e defender valores universais (justiça e verdade, em particular); em outras palavras, o intelectual é aquele que

10 transforma uma autoridade intelectual em autoridade política em nome de uma autoridade moral. Assim, deve haver três

condições, parece, para que haja intelectuais: um certo tipo de sujeito social, um certo tipo de objeto (o universal) e um certo

espaço onde ele possa se exprimir.

Certamente em toda sociedade há profissões que, no sentido amplo, são intelectuais, isto é, não manuais (um alto funcionário é um intelectual, nesse sentido). Mas, quando se fala de intelectual, geralmente não se designam nem as

15 categorias socioprofissionais ligadas às atividades de produção (agrícola, artesanal ou industrial) ou de distribuição, nem as

que têm uma função técnica; designam-se categorias, ou melhor, atividades distanciadas em relação ao processo utilitário

(produção ou distribuição), e no qual o papel pessoal do indivíduo (seu talento, seu gênio, sua invenção) é essencial − e é

dessa distância, de um lado, e dessa personalidade, de outro, que ele obtém seu prestígio. Por isso, os intelectuais a que nos

referimos procedem essencialmente das atividades ditas de criação (artes, letras, ciências) e também, secundariamente, das

20 práticas de mediação: informação, educação. É preciso, pois, um alto grau de desenvolvimento econômico, social, cultural, e de diferenciação das tarefas.

Obs.: Émile Zola, escritor francês (1840-1902); em seu artigo “Eu acuso”, publicado no jornal literário L’Aurore em 13 de janeiro de 1898, defende Alfred Dreyfus (1859-1935) e acusa nominalmente pessoas e instituições de processo fraudulento e erro judicial.

(WOLFF, Francis. Dilema dos intelectuais. In: O silêncio dos intelectuais. Org. Adauto Novaes. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 47-48)



O texto legitima o seguinte comentário: Francis Wolff, nas linhas iniciais,

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