Questão 2513158

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 2513158

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Entrevista

Ano: 2016 Banca: Colégio Militar de Juiz de Fora Órgão: Colégio Militar de Juiz de Fora


Leia os textos I, II e III a seguir e assinale a única resposta correta em cada uma das questões.

TEXTO I

Jogos Paralímpicos no Brasil é chance de reencontro com esperanças perdidas

Por Jairo Marques

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania.

1 Em geral, os atletas que vão disputar medalhas nas Paralimpíadas do Rio, que será aberta na

noite desta quarta-feira (7), sentem arrepios quando neles se procura algo mais do que um resultado

esportivo, um grito de garra, uma marca histórica. Eles querem, com justeza, serem vistos por seus

resultados e pelo empenho que colocaram em suas trajetórias em busca de serem campeões.

5 Ninguém quer o peso de servir de exemplo ou ser visto apenas por seu esforço pessoal diante de

uma adversidade física, sensorial ou intelectual.

Mas não tem jeito. Para quem assiste a qualquer uma das 23 modalidades dos jogos, a

experiência é sempre maior do que uma emoção vinda de competições acirradas ou da explosão

gloriosa da conquista de um ouro, de uma prata ou de um bronze. Há algo de valor humano perdido,

10 escondido ou escanteado no mundo que se vê cravado na aura desses competidores.

Como não analisar a própria preguiça de mudar uma postura autodestrutiva quando um chinês

sem braços e sem pernas se lança em uma piscina e vai contorcendo seu valoroso “resto de corpo”

em busca de percorrer 100 ou 200 metros na água? Como não procurar na alma coragem para

enfrentar um desgosto no amor, no trabalho, quando se vê um canadense do tiro com arco usando os

15 dedos dos pés para puxar a corda que levará a flecha rumo ao alvo e ao pódio?

Um gol da seleção brasileira de futebol de 5, jogado por cegos, é comemorado com tanto grito

e euforia como se a intenção dos torcedores fosse iluminar com holofotes as escuridões que os

impedem de enxergar possibilidades de viver melhor, de abraçar mais a diversidade, de ser mais

atento ao julgar as diferenças alheias.

20 Em cada rodopiar de um cadeirante na quadra de basquete ou em cada choque assustador

entre os jogadores de rúgbi em cadeira de rodas, um tilintar de novas ideias para os velhos e

angustiantes problemas parece brotar na cabeça. É como se aquelas vidas que parecem tão

impossíveis de serem vividas, protagonizando tantos movimentos, despertassem um sentimento de

renovação nas já amplas possibilidades de seguir adiante em quem é contemplado com a “perfeição"

25 E o que dizer da hora em que corredores sem as pernas, equilibrando-se em próteses de

carbono “xyz”, tomam posição em suas raias no estádio? É momento de buscar esperança para

reacomodar perdas íntimas, hora de consertar defeitos bobos de relacionamentos, hora de dar uma

mãozinha para queridos que caíram em esquecimento.

As Paralimpíadas serão no Brasil, país que chora tantas desonras, que clama por mais

30 modelos de boa representação e que necessita de uma guinada de motivação urgente rumo a dias

melhores. As Paralimpíadas serão no Rio, cidade que adora se dizer “maraviwonderful”. mas que

tanto pena por ser bonita de corpo e desajeitada de espírito.

Os Jogos Paralímpicos serão aqui no quintal e as sementes para fazê-los inesquecíveis,

frondosos e históricos estão nos bolsos dos brasileiros que, de quebra, poderão levar para casa e

35 para o coração uma mensagem, uma imagem e uma história de motivação, de inspiração e de

inclusão. A esperança de dias melhores nunca esteve tão perto.

Fonte: http://assimcomovoce.bloQfolha.uol.com.br/2016/09/07/ioaos-paraolimoicos-no-brasil-e-chance-de-reencontro-comesperancas-perdidas/

Texto adaptado.

Acesso em: 24/09/2016

TEXTO II

Esporte paralímpico não é inclusão social, diz ex-BBB tetracampeão mundial

Fernando Fernandes, paratleta e ex-BBB, fala sobre Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016. Imagem: Marlon Falcão/ Divulgação: Alexander Vestri

Do UOL, no Rio de Janeiro

1 Após perder a vaga na disputa da paracanoagem, Fernando Fernandes não deixou passar a

oportunidade de participar dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016. Em vez do corpo, o

paratleta vai usar a voz: será comentarista da canoagem olímpica e apresentador das Paralimpiadas

na TV.

5 “Quero transmitir o que significa o esporte, como ele pode transformar a sociedade. Estou aqui

pelo esporte", afirma o ex-BBB durante festa na Parada Coca-Cola, no Porto Maravilha.

Em 2009, Fernando sofreu um acidente de carro e passou a se dedicar à paracanoagem

depois de ficar paraplégico. Agora o atleta busca defender a imagem do esporte paralímpico e,

principalmente, tirar a imagem de “coitadismo”. “As pessoas precisam entender que não é inclusão, e

10 sim, exclusão social, porque estamos tirando os melhores atletas para representar o pais. Trata-se de

esporte de alto rendimento", explica.

A crítica também é direcionada aos próprios atletas. "É preciso que a gente se dê o respeito e

entenda que essa é nossa profissão, é como ganhamos dinheiro. Se os atletas entenderem o esporte

como inclusão social, uma forma de se beneficiar da sua condição, vamos perder credibilidade. É

15 preciso respeitar a condição, mas sem enxergar isso como uma forma de conseguir obter vantagem",

insiste Fernando, que diz conversar com os colegas nos bastidores para transmitir um pouco de seu

modo de pensar.

Apesar de o Brasil ser uma das potências mundiais em esportes paralímpicos, no país ainda

prevalece a obscuridade sobre o tema. Para o tetracampeão mundial da paracanoagem, o que falta

20 não é reconhecimento, mas conhecimento. "É preciso um trabalho de apresentação, mostrar como

funciona o esporte, como funciona a classificação funcional, para que as pessoas se aproximem

mais", acredita.

http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/19/esporte-paralimpico-nao-e-inclusao-social-diz-ex-bbb-tetracampeao-mundial.htm

Texto adaptado

Acesso em: 24/09/2016

TEXTO III

O esporte pela inclusão na visão de Andrew Parsons

Para o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão catalisadores de avanços para a inclusão social da pessoa com deficiência

Andrew Parsons, Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (Foto: CPB)

1 O esporte é um dos maiores veículos de mudança das perspectivas em relação às pessoas

com deficiência. “O esporte paralímpico tem impacto na diversidade, no respeito à diferença”, afirma

o carioca Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e vice-presidente do

Comitê Paralímpico Internacional (IPC). Para ele, “nós só mudamos a realidade quando mudamos a

5 percepção das pessoas”.

Nesse sentido, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão grandes catalisadores, em termos de

avanços para a inclusão social da pessoa com deficiência, sobretudo após a aprovação da Lei

Brasileira de Inclusão (LBI) - também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência - no ano

passado. “Os Jogos Paralímpicos não são um fim, mas um passo adiante, ajudando a botar a

10 questão da inclusão na mídia e na agenda das autoridades”, opina Parsons. Sob a gestão dele, o

Brasil saltou do 9º lugar no quadro geral das Paralímpiadas de Pequim 2008, com 16 medalhas de

ouro, para o 7º nos Jogos de Londres 2012, com 21 ouros. A meta é atingir o 5º lugar no quadro de

medalhas nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Nesta entrevista, saiba mais sobre o pensamento de Andrew Parsons, que, no Sustainable

15 Brands Rio 2016, vai participar da Plenária Impulsionando nosso Propósito Coletivo, no próximo dia

21.

Apesar do progresso verificado entre os atletas, em nível competitivo, o apoio oficial e

empresarial aos esportes paralímpicos ainda enfrenta muitas barreiras. Isso, de alguma

20 forma, reflete uma realidade quanto à inclusão social dos portadores de deficiências nos

diferentes setores? E o que o esporte tem a ensinar sobre isso?

Andrew Parsons: Em tese, este é o maior desafio. Atualmente, contamos com o apoio do

Ministério do Esporte, que, por meio de convênios, nos dá condição de elaborarmos um calendário

de competições internacionais e treinamentos. Além de podermos contar com uma equipe

25 multidisciplinar para orientação, desenvolvimento e avaliação dos nossos atletas em diversas

modalidades. O paratletismo conta com o patrocínio da Braskem e 13 modalidades têm o patrocínio

das Loterias da Caixa, nosso maior parceiro. Temos ainda o Time São Paulo, projeto em parceria

com a Secretaria de Direito à Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, e o Time Rio, com a

Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Não tenho dúvida de que houve mudanças positivas em

30 relação às questões das pessoas com deficiência, e de que o esporte tem grande parcela de

responsabilidade nisso. O esporte é um dos maiores veículos de mudança das perspectivas em

relação às pessoas com deficiência. Nós só mudamos a realidade quando mudamos a percepção

das pessoas. O esporte paralímpico tem impacto na diversidade, no respeito à diferença

35 A Olimpíada é, também, uma oportunidade para chamar a atenção das pessoas, por

meio do esporte, para a questão da inclusão?

A.P.: Os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 serão grandes catalisadores, em termos de

avanços para a inclusão social da pessoa com deficiência, sobretudo após a aprovação da Lei

Brasileira de Inclusão (LBI), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, no ano

40 passado. Os Jogos Paralímpicos não são um fim, mas um passo adiante, ajudando a botar a

questão da inclusão na mídia e na agenda das autoridades.

A recente inauguração do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, fruto de uma

parceria com o governo paulista, pode ser um marco para uma mudança de mentalidade

45 sobre essa questão no país? Ou ainda são necessárias outras medidas, no sentido de se

fazer um trabalho de longo prazo com os atletas?

A.P.: Acredito que o CT veio para ser o eixo de desenvolvimento do esporte paralímpico no

Brasil. Já começamos a utilizá-lo com foco na preparação final para os Jogos do Rio Ele tem

capacidade para abrigar 15 modalidades e, com certeza, será sede de várias competições

50 importantes. Mas é preciso atentarmos para o fato de que a base do esporte está na escola. E a

inclusão do aluno com algum tipo de deficiência nas aulas de educação física é considerado um

grande avanço. Assim, aumenta-se a base de atletas e difunde-se a prática do esporte entre

pessoas com deficiência, principalmente em alto rendimento.

55 Qual será o legado da Rio 2016 para os atletas paralímpicos? E qual a sua avaliação

desse legado?

A.P.: Penso que será o maior reconhecimento pela sociedade brasileira, que certamente

abraçará nossos atletas paralímpicos como representantes de um Brasil vencedor, que é o Brasil

Paralímpico. Isso mudará a percepção da população em relação às pessoas com deficiência em

60 nosso País. Além disso, teremos legados tangíveis, como o próprio Centro de Treinamento

Paralímpico Brasileiro e o aumento do financiamento ao esporte paralímpico, garantido pela

aprovação e sanção da Lei Brasileira da Inclusão. A soma de tais legados permitirá voos ainda mais

altos em Tóquio 2020 e no papel da pessoa com deficiência no Brasil.

65 Como o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias impacta o desempenho

dos atletas e dos Jogos Paralímpicos?

A.P.: O esporte paralímpico está para as pessoas com deficiência como a Fórmula 1 está para o

mercado automotivo. Novas tecnologias em próteses e cadeiras de rodas, por exemplo, surgem

primeiro no esporte de alto rendimento para, depois, chegarem às pessoas com deficiência em seu

70 dia a dia. Tais novas tecnologias, em termos de materiais mais leves, resistentes e de melhor

performance, levam os atletas paralímpicos a um novo patamar de rendimento, muitas vezes,

mesmo em relação a atletas sem deficiência. Exemplo disso são as marcas do alemão amputado

Markus Rehm, que, em 2015, no salto em distância, fez a marca de 8,40 m, superior à obtida por

Greg Rutherford, quando conquistou a medalha de ouro olímpica em Londres 2012, com 8,31

75 metros.

Sob sua gestão no Comitê Paralímpico Brasileiro, o país saltou do 9o lugar no quadro

geral das Paralímpiadas de Pequim 2008, com 16 medalhas de ouro, para o 7° nos Jogos de

Londres 2012, com 21 ouros. O que esperar dos nossos atletas paralímpicos no Rio 2016?

80 A.P.: Temos intensificado a preparação nas 22 modalidades do programa dos Jogos

Paralímpicos, dando especial atenção aos principais atletas de cada uma delas, proporcionandolhes uma preparação sob medida para cada um deles com os projetos de alto rendimento. Neste

sentido, o foco é a conquista de medalhas de ouro, que são determinantes para atingirmos o 5º

lugar no quadro de medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Fonte:http://oglobo. globo.com/esportes/caminhos-para-o-futuro/o-esporte-pela-inclusao-na-visao-de-andrew-parsons-19982886

Texto adaptado.

Acesso em: 03/10/2016.



Para o entrevistado no texto II, Fernando Fernandes, o esporte paralímpico:

Alternativas da questão 2513158
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