Questão
ID 2513123Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Dêitico
Ano: 2016 Banca: Colégio Militar de Juiz de Fora Órgão: Colégio Militar de Juiz de Fora
Leia os textos I, II e III a seguir e assinale a única resposta correta em cada uma das questões.
TEXTO I
Jogos Paralímpicos no Brasil é chance de reencontro com esperanças perdidas
Por Jairo Marques
Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania.
1 Em geral, os atletas que vão disputar medalhas nas Paralimpíadas do Rio, que será aberta na
noite desta quarta-feira (7), sentem arrepios quando neles se procura algo mais do que um resultado
esportivo, um grito de garra, uma marca histórica. Eles querem, com justeza, serem vistos por seus
resultados e pelo empenho que colocaram em suas trajetórias em busca de serem campeões.
5 Ninguém quer o peso de servir de exemplo ou ser visto apenas por seu esforço pessoal diante de
uma adversidade física, sensorial ou intelectual.
Mas não tem jeito. Para quem assiste a qualquer uma das 23 modalidades dos jogos, a
experiência é sempre maior do que uma emoção vinda de competições acirradas ou da explosão
gloriosa da conquista de um ouro, de uma prata ou de um bronze. Há algo de valor humano perdido,
10 escondido ou escanteado no mundo que se vê cravado na aura desses competidores.
Como não analisar a própria preguiça de mudar uma postura autodestrutiva quando um chinês
sem braços e sem pernas se lança em uma piscina e vai contorcendo seu valoroso “resto de corpo”
em busca de percorrer 100 ou 200 metros na água? Como não procurar na alma coragem para
enfrentar um desgosto no amor, no trabalho, quando se vê um canadense do tiro com arco usando os
15 dedos dos pés para puxar a corda que levará a flecha rumo ao alvo e ao pódio?
Um gol da seleção brasileira de futebol de 5, jogado por cegos, é comemorado com tanto grito
e euforia como se a intenção dos torcedores fosse iluminar com holofotes as escuridões que os
impedem de enxergar possibilidades de viver melhor, de abraçar mais a diversidade, de ser mais
atento ao julgar as diferenças alheias.
20 Em cada rodopiar de um cadeirante na quadra de basquete ou em cada choque assustador
entre os jogadores de rúgbi em cadeira de rodas, um tilintar de novas ideias para os velhos e
angustiantes problemas parece brotar na cabeça. É como se aquelas vidas que parecem tão
impossíveis de serem vividas, protagonizando tantos movimentos, despertassem um sentimento de
renovação nas já amplas possibilidades de seguir adiante em quem é contemplado com a “perfeição"
25 E o que dizer da hora em que corredores sem as pernas, equilibrando-se em próteses de
carbono “xyz”, tomam posição em suas raias no estádio? É momento de buscar esperança para
reacomodar perdas íntimas, hora de consertar defeitos bobos de relacionamentos, hora de dar uma
mãozinha para queridos que caíram em esquecimento.
As Paralimpíadas serão no Brasil, país que chora tantas desonras, que clama por mais
30 modelos de boa representação e que necessita de uma guinada de motivação urgente rumo a dias
melhores. As Paralimpíadas serão no Rio, cidade que adora se dizer “maraviwonderful”. mas que
tanto pena por ser bonita de corpo e desajeitada de espírito.
Os Jogos Paralímpicos serão aqui no quintal e as sementes para fazê-los inesquecíveis,
frondosos e históricos estão nos bolsos dos brasileiros que, de quebra, poderão levar para casa e
35 para o coração uma mensagem, uma imagem e uma história de motivação, de inspiração e de
inclusão. A esperança de dias melhores nunca esteve tão perto.
Fonte: http://assimcomovoce.bloQfolha.uol.com.br/2016/09/07/ioaos-paraolimoicos-no-brasil-e-chance-de-reencontro-comesperancas-perdidas/
Texto adaptado.
Acesso em: 24/09/2016
TEXTO II
Esporte paralímpico não é inclusão social, diz ex-BBB tetracampeão mundial

Fernando Fernandes, paratleta e ex-BBB, fala sobre Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016. Imagem: Marlon Falcão/ Divulgação: Alexander Vestri
Do UOL, no Rio de Janeiro
1 Após perder a vaga na disputa da paracanoagem, Fernando Fernandes não deixou passar a
oportunidade de participar dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016. Em vez do corpo, o
paratleta vai usar a voz: será comentarista da canoagem olímpica e apresentador das Paralimpiadas
na TV.
5 “Quero transmitir o que significa o esporte, como ele pode transformar a sociedade. Estou aqui
pelo esporte", afirma o ex-BBB durante festa na Parada Coca-Cola, no Porto Maravilha.
Em 2009, Fernando sofreu um acidente de carro e passou a se dedicar à paracanoagem
depois de ficar paraplégico. Agora o atleta busca defender a imagem do esporte paralímpico e,
principalmente, tirar a imagem de “coitadismo”. “As pessoas precisam entender que não é inclusão, e
10 sim, exclusão social, porque estamos tirando os melhores atletas para representar o pais. Trata-se de
esporte de alto rendimento", explica.
A crítica também é direcionada aos próprios atletas. "É preciso que a gente se dê o respeito e
entenda que essa é nossa profissão, é como ganhamos dinheiro. Se os atletas entenderem o esporte
como inclusão social, uma forma de se beneficiar da sua condição, vamos perder credibilidade. É
15 preciso respeitar a condição, mas sem enxergar isso como uma forma de conseguir obter vantagem",
insiste Fernando, que diz conversar com os colegas nos bastidores para transmitir um pouco de seu
modo de pensar.
Apesar de o Brasil ser uma das potências mundiais em esportes paralímpicos, no país ainda
prevalece a obscuridade sobre o tema. Para o tetracampeão mundial da paracanoagem, o que falta
20 não é reconhecimento, mas conhecimento. "É preciso um trabalho de apresentação, mostrar como
funciona o esporte, como funciona a classificação funcional, para que as pessoas se aproximem
mais", acredita.
http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/19/esporte-paralimpico-nao-e-inclusao-social-diz-ex-bbb-tetracampeao-mundial.htm
Texto adaptado
Acesso em: 24/09/2016
TEXTO III
O esporte pela inclusão na visão de Andrew Parsons
Para o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão catalisadores de avanços para a inclusão social da pessoa com deficiência

Andrew Parsons, Presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (Foto: CPB)
1 O esporte é um dos maiores veículos de mudança das perspectivas em relação às pessoas
com deficiência. “O esporte paralímpico tem impacto na diversidade, no respeito à diferença”, afirma
o carioca Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e vice-presidente do
Comitê Paralímpico Internacional (IPC). Para ele, “nós só mudamos a realidade quando mudamos a
5 percepção das pessoas”.
Nesse sentido, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 serão grandes catalisadores, em termos de
avanços para a inclusão social da pessoa com deficiência, sobretudo após a aprovação da Lei
Brasileira de Inclusão (LBI) - também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência - no ano
passado. “Os Jogos Paralímpicos não são um fim, mas um passo adiante, ajudando a botar a
10 questão da inclusão na mídia e na agenda das autoridades”, opina Parsons. Sob a gestão dele, o
Brasil saltou do 9º lugar no quadro geral das Paralímpiadas de Pequim 2008, com 16 medalhas de
ouro, para o 7º nos Jogos de Londres 2012, com 21 ouros. A meta é atingir o 5º lugar no quadro de
medalhas nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.
Nesta entrevista, saiba mais sobre o pensamento de Andrew Parsons, que, no Sustainable
15 Brands Rio 2016, vai participar da Plenária Impulsionando nosso Propósito Coletivo, no próximo dia
21.
Apesar do progresso verificado entre os atletas, em nível competitivo, o apoio oficial e
empresarial aos esportes paralímpicos ainda enfrenta muitas barreiras. Isso, de alguma
20 forma, reflete uma realidade quanto à inclusão social dos portadores de deficiências nos
diferentes setores? E o que o esporte tem a ensinar sobre isso?
Andrew Parsons: Em tese, este é o maior desafio. Atualmente, contamos com o apoio do
Ministério do Esporte, que, por meio de convênios, nos dá condição de elaborarmos um calendário
de competições internacionais e treinamentos. Além de podermos contar com uma equipe
25 multidisciplinar para orientação, desenvolvimento e avaliação dos nossos atletas em diversas
modalidades. O paratletismo conta com o patrocínio da Braskem e 13 modalidades têm o patrocínio
das Loterias da Caixa, nosso maior parceiro. Temos ainda o Time São Paulo, projeto em parceria
com a Secretaria de Direito à Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, e o Time Rio, com a
Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. Não tenho dúvida de que houve mudanças positivas em
30 relação às questões das pessoas com deficiência, e de que o esporte tem grande parcela de
responsabilidade nisso. O esporte é um dos maiores veículos de mudança das perspectivas em
relação às pessoas com deficiência. Nós só mudamos a realidade quando mudamos a percepção
das pessoas. O esporte paralímpico tem impacto na diversidade, no respeito à diferença
35 A Olimpíada é, também, uma oportunidade para chamar a atenção das pessoas, por
meio do esporte, para a questão da inclusão?
A.P.: Os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 serão grandes catalisadores, em termos de
avanços para a inclusão social da pessoa com deficiência, sobretudo após a aprovação da Lei
Brasileira de Inclusão (LBI), também chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, no ano
40 passado. Os Jogos Paralímpicos não são um fim, mas um passo adiante, ajudando a botar a
questão da inclusão na mídia e na agenda das autoridades.
A recente inauguração do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, fruto de uma
parceria com o governo paulista, pode ser um marco para uma mudança de mentalidade
45 sobre essa questão no país? Ou ainda são necessárias outras medidas, no sentido de se
fazer um trabalho de longo prazo com os atletas?
A.P.: Acredito que o CT veio para ser o eixo de desenvolvimento do esporte paralímpico no
Brasil. Já começamos a utilizá-lo com foco na preparação final para os Jogos do Rio Ele tem
capacidade para abrigar 15 modalidades e, com certeza, será sede de várias competições
50 importantes. Mas é preciso atentarmos para o fato de que a base do esporte está na escola. E a
inclusão do aluno com algum tipo de deficiência nas aulas de educação física é considerado um
grande avanço. Assim, aumenta-se a base de atletas e difunde-se a prática do esporte entre
pessoas com deficiência, principalmente em alto rendimento.
55 Qual será o legado da Rio 2016 para os atletas paralímpicos? E qual a sua avaliação
desse legado?
A.P.: Penso que será o maior reconhecimento pela sociedade brasileira, que certamente
abraçará nossos atletas paralímpicos como representantes de um Brasil vencedor, que é o Brasil
Paralímpico. Isso mudará a percepção da população em relação às pessoas com deficiência em
60 nosso País. Além disso, teremos legados tangíveis, como o próprio Centro de Treinamento
Paralímpico Brasileiro e o aumento do financiamento ao esporte paralímpico, garantido pela
aprovação e sanção da Lei Brasileira da Inclusão. A soma de tais legados permitirá voos ainda mais
altos em Tóquio 2020 e no papel da pessoa com deficiência no Brasil.
65 Como o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias impacta o desempenho
dos atletas e dos Jogos Paralímpicos?
A.P.: O esporte paralímpico está para as pessoas com deficiência como a Fórmula 1 está para o
mercado automotivo. Novas tecnologias em próteses e cadeiras de rodas, por exemplo, surgem
primeiro no esporte de alto rendimento para, depois, chegarem às pessoas com deficiência em seu
70 dia a dia. Tais novas tecnologias, em termos de materiais mais leves, resistentes e de melhor
performance, levam os atletas paralímpicos a um novo patamar de rendimento, muitas vezes,
mesmo em relação a atletas sem deficiência. Exemplo disso são as marcas do alemão amputado
Markus Rehm, que, em 2015, no salto em distância, fez a marca de 8,40 m, superior à obtida por
Greg Rutherford, quando conquistou a medalha de ouro olímpica em Londres 2012, com 8,31
75 metros.
Sob sua gestão no Comitê Paralímpico Brasileiro, o país saltou do 9o lugar no quadro
geral das Paralímpiadas de Pequim 2008, com 16 medalhas de ouro, para o 7° nos Jogos de
Londres 2012, com 21 ouros. O que esperar dos nossos atletas paralímpicos no Rio 2016?
80 A.P.: Temos intensificado a preparação nas 22 modalidades do programa dos Jogos
Paralímpicos, dando especial atenção aos principais atletas de cada uma delas, proporcionandolhes uma preparação sob medida para cada um deles com os projetos de alto rendimento. Neste
sentido, o foco é a conquista de medalhas de ouro, que são determinantes para atingirmos o 5º
lugar no quadro de medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Fonte:http://oglobo. globo.com/esportes/caminhos-para-o-futuro/o-esporte-pela-inclusao-na-visao-de-andrew-parsons-19982886
Texto adaptado.
Acesso em: 03/10/2016.
Observe as palavras destacadas nos excertos abaixo:
I. “ Os Jogos Paralímpicos serão aqui no quintal e as sementes para fazê-los inesquecíveis, frondosos e históricos estão nos bolsos dos brasileiros que, de quebra, poderão levar para casa e para o coração uma mensagem, uma imagem e uma história de motivação, de inspiração e de inclusão." (texto I; linhas 33 a 36)
II. “ Em geral, os atletas que vão disputar medalhas nas Paralimpíadas do Rio, que será aberta na noite desta quarta-feira (7), sentem arrepios quando neles se procura algo mais do que um resultado esportivo, um grito de garra, uma marca histórica.” (texto I; linhas 1 a 3)
III. “ A crítica também é direcionada aos próprios atletas. 'É preciso que a gente se dê o respeito e entenda que essa é nossa profissão, é como ganhamos dinheiro'.” (texto II; linhas 12 a 13)
IV. “ Se os atletas entenderem o esporte como inclusão social, uma forma de se beneficiar da sua condição, vamos perder credibilidade. É preciso respeitar a condição, mas sem enxergar isso como uma forma de conseguir obter vantagem", insiste Fernando, que diz conversar com os colegas nos bastidores para transmitir um pouco de seu modo de pensar, (texto II; linhas 13 a 17)
Os termos destacados retomam, na ordem em que aparecem, as seguintes palavras e/ou expressões:
I. "Os Jogos Paralímpicos”.
II. “atletas".
III. “gente”.
IV. “condição".
Estão corretas as afirmações: