Questão
ID 2512585Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Análise Vocabular
Ano: 2019 Banca: Colégio Militar do Rio De Janeiro Órgão: Colégio Militar do Rio de Janeiro
COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMERO 08 A 11.
TEXTO III
1 Naquela época, os colégios eram menores, havia menos gente no mundo. Por um lado era bom,
porque tudo era mais íntimo. Por outro, ficávamos expostos, não tínhamos como escapar, em termos
de anonimato.
Andávamos de bonde, e eu lia os “reclames”, depois chamados de publicidades ou outdoors.
5 No bonde, era “in-bondes”:
Veja, ilustre passageiro,
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem ao seu lado.
10 E no entretanto, acredite,
Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosothado!
Naquele tempo, as minhas colegas de turma, eu as vejo ainda como eram: todas nós com
15 aquelas saias de uniforme pregueadíssimas, sentadas naquelas carteiras de madeira escura...
Denise tocava piano. Quando garotinha, usava tranças grossas e escuras. Morava num casarão,
na rua Marquês de Olinda, junto com um primo, também colega nosso: Guerrino. Denise perdera a
mãe e era criada pela tia, mãe de Guerrino. Acho que era assim, talvez esteja confundindo. Lembro
da casa, com a escada lateral, era uma casa vetusta. Ai, “vetusta”... há quanto tempo eu não ouço esta
20 palavra! Palavra linda, cheia de sombras e cortinados, portas que gemem, sons misteriosos. Lembro
de um salão, com o piano, e Denise tocando Chopin...
Tem gente que acha a vida curta. Pensei que a velhice só acontecesse num futuro eterno, que
nunca chegasse. Ela chegou e não me pegou. Quer dizer: na alma, a gente não envelhece. Tem até
gente que finge que envelhece, só de vergonha de mostrar a alma.
25 (...)
(ORTHOF, Sylvia. Se a memória não me falha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. p. 17-18.)
Vocabulário
Rhum Creosothado: remédio da época para tosse, gripe, bronquite e resfriado.
Vetusto: antigo.
“Lembro da casa, com a escada lateral, era uma casa vetusta. Ai, ‘vetusta’... há quanto tempo eu não ouço esta palavra! Palavra linda, cheia de sombras e cortinados, portas que gemem, sons misteriosos”.
(l. 18-20)
Nesse fragmento, “vetusta” é uma palavra que inspira emoções à narradora, pois