Questão
ID 2497790Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Metonímia
Ano: 2020 Banca: DIRENS AERONÁUTICA - Diretoria de Ensino da Aeronáutica Órgão: Academia da Força Aérea
TEXTO V

Disponível em: https://amarildocharge.wordpress.com/2018/10/27/janelas/ - Acesso em 30/06/2020
TEXTO VI

Disponível em: https://www.humorpolitico.com.br/pxeira/precisamos-lutarjunts-contra-essa-barbarie-eumetoacolher/- Acesso em 30/06/2020
TEXTO II
Porém igualmente
É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália
apanhando. É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália
sangrando. Porém, igualmente se surpreenderam na
noite em que, mais bêbado que de costume, o marido,
05 depois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Eulália
rompeu em asas o voo de sua trajetória.
_
(COLASANTI, Marina. Um espinho de marfim e outras histórias . Porto Alegre: L&PM, 1999.)
TEXTO III
Mulheres de Atenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas Mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
_
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se
Arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas; cadenas
_
Mirem-se no exemplo
Daquelas Mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e Força de Atenas
(...)
_
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm
Presságios
O seu homem, éguas,
Naufrágios
Lindas sirenas, morenas
_
Mirem-se no exemplo
Daquelas Mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
Como jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se
Encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas, serenas
_
(HOLANDA, Chico Buarque de. Meus caros amigos. LP, 1976. Fonograma / Philips)
TEXTO IV
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe
de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti
falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de
esquina. Não foi ausente por uma semana: o batom
05 ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem
de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez
coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha
de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da
10 escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o
canário ficou mudo. Não dar parte do fraco, ah,
Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite
eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença,
última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
15 Sentia falta da pequena briga pelo sal no
tomate - meu jeito de querer bem. Acaso é saudade,
Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei
água e elas murcham. Não tenho botão na camisa.
Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha?
20 Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com
os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa,
Senhora, por favor.
_
(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba . 5ª ed. Record. Rio de Janeiro, 1996.)
Assinale a alternativa que analisa de modo INCORRETO a relação entre sentido e construção linguística dos textos desta prova.