Questão 2497771

Língua Portuguesa · 2020

Questão

ID 2497771

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Possibilidades de Paralelismo

Ano: 2020 Banca: DIRENS AERONÁUTICA - Diretoria de Ensino da Aeronáutica Órgão: Academia da Força Aérea


TEXTO V

Disponível em: https://amarildocharge.wordpress.com/2018/10/27/janelas/ - Acesso em 30/06/2020

TEXTO VI

Disponível em: https://www.humorpolitico.com.br/pxeira/precisamos-lutarjunts-contra-essa-barbarie-eumetoacolher/- Acesso em 30/06/2020



TEXTO I

As mulheres são vítimas de violência porque são mulheres

Wânia Pasinato

Nos últimos anos, a violência contra as

mulheres no Brasil vem se tornando assunto público e

reconhecido como problema ao qual qualquer mulher,

independentemente de raça, cor, etnia, idade ou classe

05 social pode estar sujeita. Trata-se de reconhecer que a

violência não é um infortúnio pessoal, mas tem origem

na constituição desigual dos lugares de homens e

mulheres nas sociedades – a desigualdade de gênero -,

que tem implicações não apenas nos papéis sociais do

10 masculino e feminino e nos comportamentos sexuais,

mas também em uma relação de poder. Em outras

palavras, significa dizer que a desigualdade é estrutural.

Ou seja, social, histórica e culturalmente a sociedade

designa às mulheres um lugar de submissão e menor

15 poder em relação aos homens. Qualquer outro fator – o

desemprego, o alcoolismo, o ciúme, o comportamento

da mulher, seu jeito de vestir ou exercer sua

sexualidade – não são causas, mas justificativas

socialmente aceitas para que as mulheres continuem a

20 sofrer violência.

(...) Em anos recentes, esse reconhecimento foi

acompanhado por mudanças na forma como devemos

responder a essa violência, atacando não as

justificativas, mas as causas. O país tornou-se

25 referência internacional com a Lei 11.340/2006 – a Lei

Maria da Penha, cujo diferencial é a forma de abordar o

problema, propondo a criminalização e a aplicação de

penas para os agressores, mas também medidas que

são dirigidas às mulheres para a proteção de sua

30 integridade física e de seus direitos, além de medidas

de prevenção destinadas a modificar as relações entre

homens e mulheres na sociedade, campo no qual a

educação desempenha papel estratégico. Apesar de

tudo, o Brasil segue sendo um país violento para as

35 mulheres. Anualmente são registradas centenas de

ocorrências de violência doméstica, de violência sexual,

além das elevadas taxas de homicídios de mulheres

que, quando motivadas pelas razões de gênero, são

tipificadas como feminicídios. Esses números

40 expressam uma parte do problema e comumente

dizemos que a subnotificação é uma característica

dessas situações.

O medo, a dúvida, a vergonha são algumas

explicações para esse silêncio, mas novamente nos

45 contentamos em olhar para as justificativas e não para

as causas. (...)

De modo geral, mudamos as leis, mas não a

forma como as instituições funcionam. O Sistema de

Justiça segue atuando de forma seletiva e distribuindo

50 de forma desigual o acesso à Justiça. Existem poucos

serviços especializados para atender as mulheres em

situação de violência. Faltam protocolos que orientem o

atendimento. Falta capacitação para os profissionais

cuja atuação é muitas vezes balizada por convicções

55 pessoais e julgamentos de valor que nada têm a ver

com os direitos humanos. (...)

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/notícia/2018/02/ violencia-contra-mulher-wania-pasinato.html - Acesso em 30/06/2020

TEXTO III

Mulheres de Atenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas Mulheres de Atenas

Vivem pros seus maridos

Orgulho e raça de Atenas

_

Quando amadas, se perfumam

Se banham com leite, se

Arrumam

Suas melenas

Quando fustigadas não choram

Se ajoelham, pedem, imploram

Mais duras penas; cadenas

_

Mirem-se no exemplo

Daquelas Mulheres de Atenas

Sofrem pros seus maridos

Poder e Força de Atenas

(...)

_

Elas não têm gosto ou vontade

Nem defeito, nem qualidade

Têm medo apenas

Não têm sonhos, só têm

Presságios

O seu homem, éguas,

Naufrágios

Lindas sirenas, morenas

_

Mirem-se no exemplo

Daquelas Mulheres de Atenas

Temem por seus maridos

Heróis e amantes de Atenas

Como jovens viúvas marcadas

E as gestantes abandonadas

Não fazem cenas

Vestem-se de negro, se

Encolhem

Se conformam e se recolhem

Às suas novenas, serenas

_

(HOLANDA, Chico Buarque de. Meus caros amigos. LP, 1976. Fonograma / Philips)

TEXTO IV

Apelo

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe

de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti

falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de

esquina. Não foi ausente por uma semana: o batom

05 ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem

de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez

coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha

de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da

10 escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o

canário ficou mudo. Não dar parte do fraco, ah,

Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite

eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença,

última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

15 Sentia falta da pequena briga pelo sal no

tomate - meu jeito de querer bem. Acaso é saudade,

Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei

água e elas murcham. Não tenho botão na camisa.

Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha?

20 Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com

os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa,

Senhora, por favor.

_

(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba . 5ª ed. Record. Rio de Janeiro, 1996.)

Observe o emprego do conectivo “E” no seguinte enunciado e assinale a alternativa em que ele foi empregado no mesmo sentido.

“É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália apanhando.”

Alternativas da questão 2497771
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