Questão 2492864

Língua Portuguesa · 2014

Questão

ID 2492864

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Texto Literário

Ano: 2014 Banca: URCA - Universidade Regional do Cariri Órgão: Prefeitura Municipal de Farias Brito


Texto I (Questões 11 a 25)

O QUERERES

Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro

E onde queres dinheiro, sou paixão

Onde queres descanso, sou desejo

E onde sou só desejo, queres não

E onde não queres nada, nada falta

E onde voas bem alto, eu sou o chão

E onde pisas o chão, minha alma salta

E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco

E onde queres romântico, burguês

Onde queres Leblon, sou Pernambuco

E onde queres eunuco, garanhão

Onde queres o sim e o não, talvez

E onde vês, eu não vislumbro razão

Onde o queres o lobo, eu sou o irmão

E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer

Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito

E onde queres ternura, eu sou tesão

Onde queres o livre, decassílabo

E onde buscas o anjo, sou mulher

Onde queres prazer, sou o que dói

E onde queres tortura, mansidão

Onde queres um lar, revolução

E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-­te amar o amor

Construir­-nos dulcíssima prisão

Encontrar a mais justa adequação

Tudo métrica e rima e nunca dor

Mas a vida é real e de viés

E vê só que cilada o amor me armou

Eu te quero (e não queres) como sou

Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer

Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper­-vídeo

E onde queres romance, rock'n roll

Onde queres a lua, eu sou o sol

E onde a pura natura, o inseticídio

Onde queres mistério, eu sou a luz

E onde queres um canto, o mundo inteiro

Onde queres quaresma, fevereiro

E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim

Do que em mim é de mim tão desigual

Faz­-me querer­-te bem, querer-­te mal

Bem a ti, mal ao quereres assim

Infinitivamente pessoal

E eu querendo querer­-te sem ter fim

E, querendo­-te, aprender o total

Do querer que há e do que não há em mim.



Em uma leitura global do texto podemos inferir:

I. Predominantemente metafórico, o eu lírico lança mão de diversos recursos literários, tais como: antítese, metonímia, hipérbatos, hipérboles, etc.

II. Pode-­se dizer que a grande temática do texto se pauta na eterna insatisfação do ser humano, que, por ser dual, vive em uma constante incompletude.

III. O mecanismo de textualidade intitulado de intertextualidade é uma constante ao longo do texto.

IV. Utilizando­-se de recursos estilísticos próprios da poesia, o eu lírico ressalta a ideia de que o homem, perdido de si mesmo e dos outros, deve conformar­-se, assim como nos ensinam os elementos naturais.

V. A grande ideia do texto é que ele induz o homem a sair do seu estado letárgico de alienação, apontando-­lhe uma possibilidade de transformação do estar-­no-­mundo: o querer.

Marque a alternativa CORRETA:

Alternativas da questão 2492864
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