Questão
ID 2483799Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Carlos Drummond de Andrade
Ano: 2022 Banca: ASSESSORIA E GESTÃO INTEGRADA EM RECURSOS HUMANOS S/C LTDA. ME Órgão: Prefeitura Municipal de Queluz
Leia atentamente o poema Os ombros suportam o mundo, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940, para responder às questões de 1 a 3
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Leia atentamente as afirmações a seguir:
I – O poema obedece a uma segmentação rígida, respeitando a métrica dos versos decassílabos e as rimas, típicas da estética do Modernismo.
II – É possível inferir que o eu-lírico sofre, sobretudo, uma desilusão amorosa, registrada principalmente na primeira estrofe do poema, em que afirma que seu coração está seco.
III – A voz do eu-lírico retrata a desilusão e desesperança não apenas de um homem, mas de uma coletividade.
É (São) incorreta(s) a(s) afirmação(ões):