Questão
ID 2467999Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Substituição de Substantivos por Pronomes
Ano: 2023 Banca: OPG - Organização Paulista em Gestão Pública Órgão: Prefeitura Municipal de Valparaíso
Para responder às questões 02 a 10, leia atentamente o texto a seguir:
O desaparecimento dos livros na vida cotidiana e a diminuição da leitura é preocupante quando sabemos que os livros são dispositivos fundamentais na formação subjetiva das pessoas. Nos perguntamos sobre o que os meios de comunicação fazem conosco: da televisão ao computador, dos brinquedos ao telefone celular, somos formados por objetos e aparelhos. Uma filosofia política da leitura nos ajudaria a pensar em quem somos desde que somos leitores de livros.
Formas da ignorância e poder dos livros.
Se em nossa época a leitura diminui vertiginosamente, ao mesmo tempo, cresce o elogio da ignorância, nossa velha conhecida. Há, nesse contexto, dois tipos de ignorância em relação a qual os livros são potentes ou impotentes. Uma é a ignorância filosófica, aquela que em Sócrates se expunha na ironia do “sei-que-nada-sei”. Aquele que não sabe e quer saber pode procurar os livros, esses objetos que guardam tantas informações, tantos conteúdos, que podemos esperar deles muita coisa: perguntas e, até mesmo, respostas. A outra é a ignorância prepotente, à qual alguns filósofos deram o nome de “burrice”. Pela burrice, essa forma cognitiva impotente e, contudo, muito prepotente, alguém transforma o não saber em suposto saber, a resposta pronta é transformada em verdade. Nesse caso, os livros são esquecidos. Eles são desnecessários como “meios para o saber”. Cancelada a curiosidade, como sinal de um desejo de conhecimento, os livros se tornam inúteis. Assim, a ignorância que nos permite saber se opõe a que nos deforma por estagnação. A primeira gosta dos livros; a segunda, os detesta.
No limite, a ignorância mal cuidada torna-se discurso e prática de vida. A educação é o cuidado da ignorância para que ela se transforme em conhecimento. Os livros são os meios mais acessíveis para o conhecimento e que, em sua forma mais evidente, providenciam a forma de subjetivação crítica que nos torna cidadãos. Perguntar pelas condições da nossa cidadania, tendo em vista uma cultura que abandonou os livros, a leitura e a formação que por ela se providenciava, torna-se urgente em nosso momento histórico.
O poder na sua forma violenta, se alimenta da ignorância e o ignorante se regozija quando não encontra nada que o negue. E porque não cuidamos da ignorância, ela domina a sociedade. Ela é transmitida, ela é “propagandeada”. Os livros são a antipropaganda, porque eles pedem mais que publicidade, eles pedem pensamento.
[...]
Ler para pensar
Para aprender a perguntar, precisamos aprender a ler. Não porque o pensamento dependa da gramática ou da língua formal, mas porque ler é um tipo de experiência que nos ensina a desenvolver raciocínios, nos ensina a entender, a ouvir e a falar para compreender. Nos ensina a interpretar. Nos ajuda, portanto, a elaborar questões, a fazer perguntas. Perguntas que nos ajudam a dialogar, ou seja, a entrar em contato com o outro. Nem que este outro seja, em um primeiro momento, apenas cada um de nós mesmos.
Pensar, esse ato que está faltando entre nós, começa aí, muitas vezes, em silêncio quando nos dedicamos a esse gesto simples e ao mesmo tempo complexo que é ler um livro. Um livro que é sempre uma viagem vertical na qual a gente descobre e se inventa ao mesmo tempo. É uma pena que as pessoas não possam fazer isso hoje em dia porque sucumbiram ao clima programado da cultura em que ler é proibido. Os meios tecnológicos de comunicação são insidiosos nesse momento, pois prometem uma completude que o ato de ler um livro nunca prometeu. É que o ato da leitura nunca nos engana. Por isso, também, muitos se afastam dele. Muitos que foram educados para não pensar, passam a não gostar do que não conhecem. Mas há quem tenha descoberto esse prazer que é o prazer de pensar a partir da experiência da linguagem – compreensão e diálogo – que sempre está ofertada em um livro. Certamente para essas pessoas, o mundo todo – e ela mesma – é algo bem diferente. [...]
Pensemos na pessoa que seríamos caso entrássemos em uma nave espacial que nos levasse muito longe por meio de nós mesmos. Ora, o livro é a oportunidade de uma experiência desse tipo, capaz de transformar o sentido do que somos por meio de uma presença impressionante de um objeto comum.
A experiência do livro se define também em relação ao tempo introjetado. O livro nos faz relacionarmo-nos com um tempo que nos escapa nos demais meios. Hoje quando vemos a função de prótese que os aparelhos celulares, que a televisão, que os computadores, tem em nossas vidas, quando percebemos que somos roubados de nós mesmos por meio do saque de nosso tempo, o livro se torna a chance bem prática e rápida de nos devolvermos a nós mesmos. (TIBURI, Márcia. Potência do pensamento: por uma filosofia política da leitura. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br. 31 jan. 2016. Adaptado.)
No 2º parágrafo do texto, tem-se “[...] esses objetos que guardam tantas informações [...]”. Ao substituir o trecho em destaque por um pronome, a frase ficaria, de acordo com a norma culta: