Questão 246335

Língua Portuguesa · 2024

Questão

ID 246335

Disciplina: Língua Portuguesa

Assuntos: Estilística Literária, Sentido Conotativo, Figurado ou Metafórico, Sentidos do texto

Ano: 2024 Banca: Instituto Verbena Órgão: Câmara Municipal de Caldas Novas


Leia o Texto 2 para responder às questões de 03 a 05.


Texto 2

Entrada


Manoel de Barros


Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: o dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias em meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens em minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada, mas vou copiar alguns desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os impossíveis verossímeis do mestre Aristóteles. Dou quatro exemplos: 1) É nos loucos que grassam os luarais; 2) Eu queria crescer para passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas, se o nada desaparecer, a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.

BARROS, Manoel. Poesia Completa. Leya: São Paulo, 2010, p. 07.

No trecho “distâncias somavam a gente para menos”, o sujeito lírico

Alternativas da questão 246335
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