Questão
ID 2460899Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Assunto: Saúde Pública
Ano: 2012 Banca: COMPERVE UFRN - Comissão Permanente do Vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Órgão: Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte
Apenas 6,2% dos municípios têm bons serviços de saúde
De todos os 5.563 municípios brasileiros, apenas 347 oferecem um bom atendimento na
área da saúde. Eles representam apenas 6,2% do total e atendem a 3,6 milhões de
3 brasileiros. A maioria está em Estados das regiões Sul (200 municípios) e Sudeste (145).
As regiões Norte e Nordeste possuem, cada uma, apenas uma cidade nas condições
consideradas ideais pelo Ministério da Saúde (MS). Feito não alcançado por nenhum
6 município da região Centro-Oeste.
O cenário nada animador foi traçado pelo próprio ministério a partir de um novo indicador
de qualidade da saúde: o Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde, o IDSUS.
9 Promessa desde a posse do atual ministro Alexandre Padilha, o IDSUS pretende avaliar a
atuação das redes públicas de saúde nos municípios brasileiros, em todos os níveis de
assistência à população: atenção básica, ambulatorial e hospitalar especializada, e de
12 urgência e emergência.
O índice é composto, basicamente, de duas grandes variáveis: o acesso aos serviços e a
efetividade do atendimento. Ao todo, 24 indicadores já conhecidos (como taxa de
15 mortalidade materna e quantidade de mamografias feitas a cada ano) foram usados no
cálculo da nota dada a cada cidade, ao Estado e ao próprio País. Os conceitos variam em
uma escala de 0 a 10, e a média brasileira de desempenho do SUS ficou e m 5,47. Todas as
18 notas do País podem ser conferidas no site do ministério.
“Digamos que cinco é uma nota razoável. O SUS deveria ter de 7 em diante na nossa
opinião”, afirma Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, diretor do Departamento de
21 Monitoramento e Avaliação do SUS. De acordo com as metodologias estatísticas aplicadas
aos dados, garantir o acesso aos serviços ainda é o maior problema do Brasil.
Para Oliveira, o índice é “exigente”. Os cálculos são baseados na quantidade de pessoas
24 que residem em cada município. Isso significa que as pessoas com plano de saúde, que
não usariam o serviço público, são incluídas na totalidade da população a ser atendida em
cada cidade. “O SUS é e tem de ser para todos”, diz.
27 A maioria dos municípios ficou em situação mediana, de acordo com a avaliação do
ministério. Na faixa de notas entre 5 e 5,9, estão 2616 cidades (47% do total) responsáveis
pelo atendimento de 88.673.765 brasileiros. Outros 1.450 municípios (26,1% do total)
30 ficaram com notas entre 6 e 6,9. Eles atendem a uma população de 46.683.510 pessoas.
Apenas seis cidades têm nota superior a 8. Quatro delas estão em São Paulo (Arco -Íris,
Barueri, Rosana e Cássia dos Coqueiros). As outras duas – Pinhal e Paulo Bento – são do
33 Rio Grande do Sul.
Durante todo o ano passado, técnicos do Ministério da Saúde, especialistas de
universidades, representantes de associações, gestores e usuários do SUS discutiram
36 critérios para medir situações tão diversas quanto o País. “Não podemos comparar Belo
Horizonte com uma cidade do interior da Amazônia. Por isso, dividimos os municípios em
grupos de características semelhantes para darmos visibilidade às diferenças do País”,
39 pondera Oliveira.
Os técnicos do ministério contam que os indicadores foram escolhidos de acordo com a
relevância, a confiabilidade, a viabilidade e a validade dos dados disponíveis. São 14
42 variáveis relacionadas à acessibilidade e 10, à efetividade. Oliveira reconhece que há
fragilidade nas bases estatísticas de municípios e estados, mas vê na criação do índice um
estímulo à melhoria da informação em todas as cidades brasileiras.
45 “O mais importante agora é colocar os dados em uma discussão mais ampla e melhorar a
sua qualidade”, comenta Renato Assunção, professor do Departamento de Ciência da
Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que participou da
48 elaboração do índice.
O IDSUS foi calculado com as bases de dados referentes aos anos de 2007, 2008, 2009 e
2010, dependendo do indicador. As estatísticas de 2011 ainda não estavam prontas. A
51 proposta do ministério é divulgar um novo índice de cada cidade a cada três anos. Os
gestores locais, no entanto, serão acompanhados pela pasta e receberão atualizações
anuais das notas.
54 A proposta do Ministério da Saúde é utilizar os dados com o objetivo de definir estratégias
para os serviços junto com os gestores municipais e estaduais, utilizando as notas do
IDSUS. É com base nesses conceitos que os pactos e os contratos da pasta serão feitos a
57 partir de agora. A estratégia é semelhante à do Ministério da Educação, que criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) para avaliar a qualidade de ensino nas
escolas e propôs metas a cada gestor.
60 O próximo passo será ouvir os usuários sobre o acesso aos serviços e sobre a qualidade
do atendimento prestado pela rede pública de saúde. Oliveira garante que a meta é definir
um programa de avaliação e monitoramento do SUS até o fim do ano. As primeiras a
63 participar da pesquisa serão as gestantes. Foram enviadas 1,4 mil cartas às mulheres que
deram à luz entre outubro e novembro de 2011.
Texto adaptado. Disponível em: http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20120301223229&cat=saude&keys=apenasmunicipios-tem-bons-servicos-saude
De acordo com o texto, é correto afirmar que