Questão
ID 2451200Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Casos Especiais de Crase
Ano: 2021 Banca: Legalle Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Vale do Sol
Para responder às questões de 01 a 07, leia o 1 texto abaixo.
Quando os filhos voam
- Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de
- ser crianças e abandonem proteção do ninho. Eu
- mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é
- inevitável que eles voem em todas as direções como
- andorinhas adoidadas.
- [ ... ] Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o voo
- dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros
- passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora
- de casa, a primeira viagem ...
- Desde o nascimento de nossos filhos temos a
- oportunidade de aprender sobre esse estranho
- movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar.
- Nem sempre percebemos que esses momentos tão
- singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício
- da liberdade.
- Mas chega um momento em que a realidade bate
- porta e escancara novas verdades difíceis de
- encarar. É o grito da independência, a força da vida em
- movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
- É quando nos damos conta de que nossos filhos
- cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de
- destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo
- longe de nós. É chegado então o tempo de recolher nos-
- sas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar
- vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar
- decisões que caminham para longe. Isso é amor.
- Muitas vezes, confundimos amor com dependên-
- cia. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voa-
- rem livres não nos amarão mais. [ ... ] Fazemos questão
- de apontar alguma situação que demande um conselho
- ou uma orientação nossa, porque no fundo o que
- precisamos é sentir que ainda somos amados. Muitas
- vezes confundimos amor com segurança. Por excesso
- de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos,
- [ ... ] Temos tanta certeza de que sabemos mais do que
- eles, que o porto seguro vira uma âncora que os impede
- de navegar nas ondas de seu próprio destino.
- Muitas vezes confundimos amor com apego.
- Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma.
- Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o
- fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não
- cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo
- que o amor nada tem ver com apego, segurança ou
- dependência, embora tantas vezes eu me confunda.
- Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.
- Aprendo que a vida é feita de constantes mortes
- cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada
- fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para
- uma nova frase. Aprendo que tudo passa menos o
- movimento. É nele que podemos pousar nosso
- descanso e nossa fé, porque ele é eterno.
- Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver
- meus filhos crescidos, se assusta por não saber o que
- fazer. Mas é muito melhor ser livre do que impres-
- cindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e
- deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.
Autor: Rubem Alves (adaptado).
Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas das linhas 2, 17 e 43?