Questão
ID 2448234Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Inferência Textual
Ano: 2019 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Coronel Bicaco
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Smartphone: o novo cigarro
- Fumar era normal. As pessoas acendiam o primeiro cigarro logo ao acordar, e repetiam o
- gesto dezenas de vezes durante o dia, em absolutamente todos os lugares: lojas, restaurantes,
- escritórios, consultórios, aviões. Ficar sem cigarro, nem pensar!
- O cigarro estava na TV, nos filmes, na música, na propaganda. 30% a 40% da população,
- dependendo do país, fumava. O cigarro foi, em termos absolutos, a coisa mais viciante que a
- humanidade já inventou. Hoje ele é execrado, com razão, e cenários assim são difíceis até de
- imaginar. Olhamos para trás e nos surpreendemos ao perceber como as pessoas se deixavam
- escravizar, aos bilhões, por algo tão .......... Enquanto fazemos isso, porém, vamos sendo
- dominados por um vício ainda mais onipresente: o smartphone.
- Quatro bilhões de pessoas, ou 51,9% da população global, ______ um, de acordo com uma
- estimativa da empresa sueca Ericsson. E o pegam em média 221 vezes por dia, segundo uma
- pesquisa feita pela consultoria inglesa Tecmark. O número de toques diários no aparelho é ainda
- mais impressionante: são 2.600, segundo a empresa de pesquisa Dscout Research.
- O smartphone já vicia mais gente, e de forma mais intensa, do que o cigarro. Vivemos
- grudados em nossos smartphones porque eles são úteis e divertidos. Mas o que pouca gente
- sabe é o seguinte: por ........ dos ícones coloridos e apps de nomes engraçadinhos, as gigantes
- da tecnologia fazem um esforço consciente para nos manipular, usando recursos da psicologia,
- da neurologia e até dos cassinos. “O smartphone é tão viciante quanto uma máquina caça-
- níqueis”, diz o americano Tristan Harris. E o caça-níqueis, destaca ele, é o jogo que mais causa
- dependência: vicia três a quatro vezes mais rápido que outros tipos de aposta.
- Harris trabalhou quase cinco anos no Google, primeiro como programador e depois como
- “especialista em ética de design”. Em 2016, saiu da empresa para criar uma ONG, que se chama
- Center for Humane Technology e reúne programadores alarmados com o impacto da indústria
- da tecnologia. “Estamos colocando toda a humanidade no maior experimento psicológico já feito,
- sem nenhum controle. A internet é a maior máquina de persuasão e vício já construída”, diz o
- programador Aza Raskin.
- Você provavelmente nunca ouviu falar dele, mas Raskin é famoso no Vale do Silício. Isso
- porque, em 2006, ele inventou o que viria a se tornar um dos elementos mais fundamentais (e
- viciantes) dos smartphones: a “rolagem infinita”. Sabe quando você vai descendo pela tela e o
- conteúdo nunca termina, pois vai aparecendo mais? Trata-se da rolagem infinita, que torna mais
- prático o uso do smartphone – mas também mexe com a sua cabeça. “Se você não dá tempo
- para o seu cérebro acompanhar os seus impulsos, simplesmente continua rolando para baixo”,
- diz Raskin.
- Ele não imaginava o poder viciante de sua criação, e hoje se arrepende dela – tanto que é
- um dos fundadores do Center for Human Technology. “A pergunta que nós nos fazemos no Vale
- do Silício é: estamos programando apps ou pessoas?”, diz. “Só Deus sabe o que estamos fazendo
- com o cérebro das crianças”, afirmou Sean Parker, um dos fundadores e primeiro CEO do
- Facebook, num debate em 2018. “Nós exploramos uma vulnerabilidade da psicologia humana.
- Eu, Mark (Zuckerberg), Kevin Systrom (criador do Instagram), todos nós entendemos isso,
- conscientemente, e fizemos mesmo assim”, afirmou.
- Você deve estar pensando: será que não _____ um certo exagero nisso? Afinal, você não
- controla o uso que faz do smartphone, e pode tranquilamente deixá-lo de lado, certo? Mais ou
- menos. Primeiro, você provavelmente é bem mais dependente dele do que imagina. Segundo,
- na prática é difícil conter o uso do celular.
- Foi o que constatou uma pesquisa feita pela consultoria Deloitte com 2 mil brasileiros. 30%
- das pessoas disseram que _____ problemas com o uso ......... do smartphone, como dificuldade
- de concentração ou insônia, e 32% já tentaram maneirar – sem sucesso. Uma pesquisa do
- Hospital Samaritano de São Paulo revelou que oito em cada dez motoristas usam celular
- enquanto dirigem, embora 93% deles reconheçam que isso é perigoso.
- É por isso que boa parte das pessoas está sempre com a cara enterrada na tela, mesmo nos
- momentos mais impróprios para isso: atravessando a rua, na praia, num show, etc. “Está
- havendo um sequestro da atenção, da consciência, da perspectiva de você se conectar com o
- mundo à sua volta. Uma epidemia da distração”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu,
- coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Hospital das Clínicas (USP).
- Estudos mostram que o uso exagerado de smartphone está ligado ao aumento das taxas
- de ansiedade, depressão e déficit de atenção, inclusive com alterações na estrutura do cérebro.
- Os sintomas começam a se manifestar quando a pessoa gasta mais de três horas por dia no
- celular, e nós já passamos disso: o brasileiro gasta em média 3h diárias nessa atividade, segundo
- o relatório State of Mobile 2019, da empresa americana App Annie.
Texto adaptado. Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/smartphone-o-novo-cigarro/
A respeito do texto, analise as seguintes assertivas:
I. A utilização de celulares hoje é tão demasiada que as pessoas estão cada vez mais apresentando maiores índices de doenças psicológicas, tendo ligação direta com mudanças nas sinapses cerebrais.
II. Visto os brasileiros dedicarem em média até 3h por dia para checarem seus aplicativos e navegarem na internet, eles estão mais propensos a apresentarem sintomas de depressão e ansiedade do que outras pessoas que não utilizam tanto o celular.
III. A ideia apresentada de os smartphones serem o novo cigarro faz uma comparação com o vício que ambos podem causar e com como isso é prejudicial para as pessoas.
Quais estão corretas?