Questão 2438390

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 2438390

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Pressupostos e Subentendidos

Ano: 2016 Banca: Colégio Militar de Fortaleza Órgão: Colégio Militar de Fortaleza


TEXTO 2

O PEQUENO PRÍNCIPE

01 Foi então que apareceu a raposa.

02 – Bom dia – disse a raposa.

03 – Bom dia – respondeu polidamente o pequeno príncipe, que se voltou, mas não viu ninguém.

04 – Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira.

05 – Quem é você? – perguntou o pequeno príncipe. – É muito bonita.

06 – Sou uma raposa – disse a raposa.

07 – Vem brincar comigo – disse o príncipe. – Estou muito triste.

08 – Não posso brincar com você – respondeu a raposa. – Ninguém me cativou ainda.

09 – Ah, desculpe – disse o príncipe.

10 Mas, depois de refletir, acrescentou:

11 – O que significa “cativar”?

12 – Você não é daqui – disse a raposa. – Que anda procurando?

13 – Eu procuro as pessoas – disse o pequeno príncipe. – Mas o que quer dizer “cativar”?

14 – As pessoas – disse a raposa – possuem espingardas e caçam. É assustador! Criam galinhas

15 também. É tudo o que lhes interessa. Você anda à procura de galinhas?

16 – Não – respondeu o pequeno príncipe. – Ando à procura de amigos. Mas o que quer dizer

17 “cativar”?

18 – É uma coisa quase sempre esquecida – disse a raposa. – Significa “criar laços”.

19 – Criar laços?

20 – Exatamente – disse a raposa. – Para mim, você é um menino igualzinho a cem mil outros

21 meninos. E eu não preciso de você. E você tampouco precisa de mim. Não sou para você mais que

22 uma raposa, igual a cem mil outras raposas. Mas, se você me cativar, passamos a ter necessidade um

23 do outro. Você será para mim único no mundo e eu serei única no mundo para você...

24 – Estou começando a entender – disse o pequeno príncipe. Existe uma flor... creio que ela me

25 cativou.

26 É possível – disse a raposa. – Na Terra, a gente vê todo tipo de coisas...

27 – Não, não foi na Terra – disse o pequeno príncipe.

28 A raposa pareceu intrigada.

29 – Em outro planeta?

30 – Sim.

31 – Há caçadores nesse outro planeta?

32 – Não.

33 – Isso é bom... E há galinhas?

34 – Não.

35 – Nada é perfeito – suspirou a raposa.

36 Mas logo retomou seu raciocínio:

37 – Minha vida é monótona. Eu caço galinhas, os homens me caçam. Todas as galinhas se

38 parecem e todos os homens se parecem também. Isso me aborrece um pouco. Mas, se você me

39 cativar, minha vida se iluminará. Identificarei o barulho de seus passos, que será diferente de todos

40 os outros. Esses outros me farão meter-me num buraco. Os seus me chamarão para fora dele, como

41 se fosse música. E depois, olhe. Está vendo lá longe os campos de trigo? Não como pão. O trigo

42 para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E isso é triste! Mas você tem cabelos

43 dourados. Por isso, será maravilhoso quando você me cativar! O trigo, que é dourado, me fará

44 lembrar de você. E amarei ouvir o vento nos trigais...

45 A raposa se calou e olhou demoradamente para o pequeno príncipe.

46 – Por favor, me cativa!... – pediu ela.

CERISIER, Alban; LACROIX, Delphine. A bela história do pequeno príncipe. Textos reunidos. Trad. Maria Helena Rouanet; Ferreira Gullar. Rio de Janeiro: Agir, 2013. p. 141-143.



No trecho “É tudo o que lhes interessa.” (linha 15), a palavra sublinhada refere-se a

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