Questão 2423663

Língua Portuguesa · 2019

Questão

ID 2423663

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Artigo de Jornal

Ano: 2019 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Formosa do Sul


Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.

Todo dia é dia de falar sobre George Orwell

01 Eu penso em George Orwell de manhã, quando toca o despertador do celular e olho no

02 fundo da câmera, por trás da qual bem poderia estar um Grande Irmão. Penso em George Orwell

03 ao longo do dia, quando abro o noticiário e vejo a situação política global se tensionar, como se

04 os países se fechassem em punhos, prontos a se esmurrar. Penso em George Orwell de noite,

05 quando procuro na estante o que ler nos próximos dias.

06 Voltei a pensar em George Orwell com uma notícia recente: a versão em quadrinhos de sua

07 Revolução dos bichos, feita pelo artista Odyr, ganhou o HQMix de Melhor Adaptação para

08 Quadrinhos. Ainda não tive a chance de conferir o trabalho, mas qualquer iniciativa que nos faça

09 falar de George Orwell é válida — trata-se de um dos escritores mais urgentes do momento, para

10 todo o espectro político e todas as latitudes.

11 Antes de tudo, devido a sua obra. Não apenas Revolução dos bichos e 1984, tão clássicos

12 que já correm o risco de ossificação, pisados e repisados a cada sinal de fechamento e escalada

13 autoritária mundo afora; também os ensaios de Orwell merecem leitura.

14 Quem já estiver um pouco cansado de política, da face institucional dela, também

15 encontra boas opções, que nutrem o pensamento e revigoram o espírito, em livros como Na pior

16 em Paris e Londres e Como morrem os pobres e outros ensaios. O primeiro traz um relato das

17 vivências de Orwell nas capitais francesa e inglesa, sem muito mais que uns poucos tostões e a

18 necessidade de não sucumbir ao frio, à fome, à fadiga. Embora na superfície pareça tão diferente

19 da ficção especulativa de 1984 ou da sátira política de Revolução dos bichos, o livro tem tudo a

20 ver com a obra orwelliana, já que é seu ponto de partida, seu Big Bang: nele o autor elaborou

21 seu olhar crítico, meio ___ margem, e sua vontade de concretude, seja na linguagem, seja nas

22 situações retratadas. Encontrou sua voz e seu ponto de vista.

23 Mais diversa e por vezes ainda mais direta, a coletânea de ensaios Como morrem os

24 pobres mostra Orwell em grande forma, com textos potentes e de uma atualidade

25 impressionante. Desde uma frase pontual (“Em nosso tempo, o discurso e a escrita política são,

26 em grande medida, a defesa do indefensável”, como se lê em “A política e a língua inglesa”) até

27 raciocínios mais gerais, o livro corre o risco de acabar todo rabiscado, páginas e páginas

28 sublinhadas, anotadas e comentadas, como se o movimento incessante do lápis pudesse reverter

29 as letras em voz, em busca de alguma luz, de alguma clareza para entender o mundo de Orwell,

30 que ainda é o nosso em muitos aspectos decisivos.

31 Nem tudo é perfeito em Orwell, obviamente. Há comentários e pontos de vista que podem

32 nos parecer problemáticos, ainda mais se não considerarmos o contexto. Em Como morrem os

33 pobres, por exemplo, seu ensaio em defesa das lareiras a carvão soa questionável se o lermos de

34 modo anacrônico, com as preocupações ecológicas de hoje, quando combustíveis fósseis se

35 tornaram um fator evidente do colapso climático. Há outro aspecto problemático no ensaio:

36 Orwell faz uma defesa tradicionalista, de um idílio familiar, com pai, mãe e crianças em torno da

37 lareira, que parece meio piegas, ou acrítica, ___ beira de um saudosismo potencialmente nocivo.

38 É por isso e por outras razões que penso em Orwell várias vezes ao dia, em geral, na

39 forma de uma interrogação. Não me pergunto o que ele faria ou o que diria; seus textos estão aí,

40 basta relê-los e ficar atento ___ coerência para extrair conclusões. Penso em Orwell, mas penso em

41 especial em suas circunstâncias: que escritor ele teria sido em outra época? Se tivesse vivido

42 tempos menos turbulentos, menos cindidos, menos incendiários, ele teria escrito de outra forma?

43 Penso em Orwell e percebo que sua figura embaralha essas perguntas e as deixa de lado,

44 abrindo espaço para a que realmente interessa: como viver e agir ___ altura dos desafios do

45 tempo em que nascemos? Com que princípios, com que ferramentas?

46 A obra de Orwell é testemunha de sua resposta, com seu alcance e suas limitações; cada

47 um de nós que responda por si.

(Henrique Balbi – Revista Época – 11/09/2019 – Disponível em: https://epoca.globo.com/ - disponível)



De acordo com o exposto no texto, analise as assertivas a seguir:

I. Em “Na pior em Paris e Londres”, Orwell desenvolve suas principais ideias para quem quer analisar o sistema político desses dois países.

II. O autor é fã incondicional de George Orwell, pontuando somente as qualidades desse potente e atual autor.

III. Ao final de sua argumentação, o autor do texto deixa em aberto as questões colocadas no penúltimo parágrafo acerca da obra de Orwell para que seus leitores as respondam.

Quais estão corretas?

Alternativas da questão 2423663
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