Questão 2397384

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 2397384

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Fábula

Ano: 2016 Banca: FRAMINAS FADECIT - FRAMINAS Órgão: Prefeitura Municipal de Coqueiral


As duas cargas

Dois burros caminhavam lado a lado, um com uma carga de açúcar, outro com carga de algodão.

O primeiro era considerado como criatura de grande saber e via-se forçado, até mesmo, a andar de óculos, por ter o costume de ler à noite sob a pouca luz da estrebaria.

Com sua previdência habitual, chamou a atenção para os acidentes do caminho, aconselhando cautela, ao que o outro retrucou:

- Não há perigo. Basta seguirmos os rastros de quem já passou por aqui.

- É preciso não esquecer – disse o de óculos – que por onde passou um, pode não passar um outro.

- Ora, que bobagem! Pois se já seguiram esta trilha vários outros na nossa frente e nada lhes aconteceu, nada nos acontecerá também.

- Não, amigo, não penso assim. Acredite, sou mais velho que você, mais experiente, e sei que nem sempre o que é bom para alguém é bom para os demais.

Neste ponto alcançaram um rio cuja ponte havia caído naquela manhã.

- Que faremos? Perguntou o burro do algodão.

O jeito é passar a vau – respondeu o outro. E, assim dizendo, lançou-se na correnteza. Como o açúcar dissolvia-se na água, pôde chegar tranquilamente à margem oposta.

O burro do algodão, teimosamente, pensou:

- Se ele passou, também eu passarei – e meteu-se no rio.

Mas sua carga, em vez de dissolver-se, como o açúcar, cresceu, inchou, aumentou tanto de peso, que o pobre burro acabou por afundar.

Enquanto isto, já na margem oposta, pensava com seus botões o burro sábio:

- Ah, amigo, bem lhe dizia! É inútil seguir as pegadas alheias! Cada qual deve trilhar o seu próprio caminho.

Versão da Generali do Brasil, inspirada nas Fábulas de Monteiro Lobato. Ed. Brasiliens



Que conselho o burro sábio e precavido deu ao companheiro?

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