Questão 2396798

Língua Portuguesa · 2022

Questão

ID 2396798

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Relação de Causa e Consequência

Ano: 2022 Banca: UniRV Órgão: Prefeitura Municipal de Rio Verde


Leia o texto abaixo e responda às questões 01 a 04.

Texto 1

Embora, na época, eu não fosse capaz de entendê-las bem, relações como as que eu mantinha com Cecil e os meus cunhados, com minhas irmãs mais velhas, minhas namoradas e Big Mama provavelmente me protegeram de muitos danos. Os pesquisadores que estudam a resistência ao estresse constatam reiteradamente que o apoio social é um dos maiores fatores de proteção. E eu precisava dele. Meus pais tinham se mostrado ausentes em boa parte de minha infância. Mesmo quando estava fisicamente presente, minha mãe trabalhava tantas horas e tinha tantas outras coisas para cuidar que eu recebi muito pouco cuidado dela. Com cinco irmãs mais velhas, contudo – e pelo menos uma avó que me adorava -, eu tinha algumas possibilidades de receber boa atenção materna, embora minhas irmãs também fossem muito jovens.

As pessoas tendem a considerar os relacionamentos sociais apenas como forças negativas no uso de drogas. Mas deixam de entender a complexidade dos comportamentos grupais. Os seres humanos sempre encontraram maneiras de determinar quem é “nós” e quem é “eles”, e o consumo de alimentos ou drogas específico é uma das maneiras típicas de fazê-lo. Os adolescentes são particularmente sensíveis a esses sinais de vinculação, e se o uso de drogas é o preço a pagar para pertencer a um grupo, muitos se mostram dispostos a arcar com ele.

Certos grupos, contudo, marcam seu território evitando determinados tipos de droga – por exemplo, os atletas rejeitam o tabaco; os hippies da década de 1960 rejeitavam álcool destilado em favor da maconha e do LSD; e os negros evitam a metanfetamina por ser considerada uma droga de brancos. Dos pequenos grupos e galeras até o plano da cultura nacional, o comportamento relacionado às drogas não é apenas uma questão de ficar doidão. Muitas vezes ele é usado para delinear a filiação a um grupo e posição social qualquer.

Os aspectos sociais do uso de drogas também mudam com a idade. Por exemplo, ter filhos e se casar estão associados à redução do uso de drogas; um dos muitos estudos que fez descobertas semelhantes a essa constatou que pessoas casadas têm três vezes mais chance de parar de usar cocaína, e as que têm filhos, mais de duas vezes a probabilidade de parar. Dados semelhantes evidenciam que pessoas com relacionamentos familiares estreitos ou românticos tendem a ter resultados melhores quando estão em tratamento. E os sentimentos de acolhida social e vinculação à escola e aos pais por parte de estudantes estão ligados à redução dos problemas relacionados ao uso de drogas.

O papel dos fatores sociais explica em grande medida por que as “hipóteses da dopamina” (ou qualquer outra explicação puramente biológica) aplicadas ao vício, como as que eu adotei em meus primeiros trabalhos, ficam muito aquém da possibilidade de oferecer uma explicação significativa para esse tipo de problema. Sem dúvida muitas pessoas começam a usar drogas imitando outras, e o fato de viver num círculo social que gira em torno das drogas pode contribuir para o uso contínuo. Mas a grande maioria dos usuários de drogas não se vicia. Na verdade, o próprio apoio social funciona como fator de proteção contra muitos problemas de saúde e diferentes tipos de comportamentos de risco, inclusive o vício. Boa parte da utilização patológica de drogas é motivada por necessidades socais não atendidas, pelo sentimento de alienação e de dificuldade em se ligar aos outros. (HART, Carl. Um preço muito alto: a jornada de um neurocientista que desafia nossa visão sobre as drogas. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.)



Acerca do texto 1, é correto afirmar que:

Alternativas da questão 2396798
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