Questão 2394607

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 2394607

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Artigo de Opinião

Ano: 2016 Banca: CEPS UFPA - Centro de Processos Seletivos da Universidade Federal do Pará Órgão: Universidade Federal Rural da Amazônia


Chico Buarque e a era da grosseria online

Os xingamentos ao cantor mostram que há uma migração para o mundo físico de um comportamento péssimo das redes sociais

  1. Você deve ter visto o vídeo do cantor Chico Buarque sendo xingado por um grupo de
  2. jovens aparentemente alcoolizados. Um bate-boca típico de bar. O fato ocorreu na última
  3. segunda-feira (21), na saída de um restaurante no Leblon, na cidade do Rio de Janeiro. O vídeo
  4. publicado no Glamurama mostra o grupo de jovens em volta do cantor questionando o fato de ele
  5. defender publicamente o Partido dos Trabalhadores. [...]
  6. Não houve agressão física. Só sobrou grosseria – uma tendência comportamental que
  7. marcou o ano de 2015 no Brasil. Em agosto, falamos em reportagem da ÉPOCA sobre o
  8. fenômeno que chamamos de "A era da grosseria online". Em algum momento, passamos a achar
  9. razoável tratar quem pensa diferente com xingamentos e pontapés virtuais. Em algum momento,
  10. passamos a achar bacana pegar o comentário de alguém, colocar numa comunidade com ideias
  11. contrárias e participar de sessões de linchamento virtual. Com o aval e o apoio de quem pensa
  12. como nós – já que o Facebook nos induz a ler apenas o conteúdo com o qual concordamos – nos
  13. tornamos visigodos da era digital em busca de um povo inimigo para exterminar
  14. O problema – e o caso de Chico é só mais um entre tantos, nos diferentes espectros
  15. políticos – é que esse comportamento vem gradativamente migrando para o mundo físico.
  16. Pessoas estão se sentindo à vontade para abordar quem pensa diferente na rua e disparar
  17. agressões físicas e verbais. Não se trata de liberdade de expressão ou de politicamente correto.
  18. Trata-se de um ambiente em que não há espaço para diálogo. Apenas monólogos de quem foi
  19. munido por um arsenal de informações recebidas das redes sociais e de sites obscuros e não
  20. suporta ser confrontado com uma opinião diferente.
  21. [...]
  22. Vivemos a era da grosseria e da intolerância e sobretudo a era da ignorância.
  23. Compartilhamos textos apenas lendo o título e vendo foto. Compartilhamos textos claramente
  24. mentirosos. Compartilhamos matérias de sites de humor, como o Sensacionalista, acreditando
  25. serem reais. Depois colocamos a culpa no Brasil. “Ah, mas aqui ocorre tanto absurdo que eu achei
  26. que fosse verdade”. Achou mesmo ou de repente cegou-se diante da facilidade em espraiar seu
  27. ódio e sua insatisfação?
  28. É curioso que estejamos nos tornando mais ignorantes numa era em que quase toda a
  29. informação pode ser checada com dois cliques do mouse ou a dois toques na tela do
  30. celular. Parece que esse segundo toque dá muito mais trabalho do que o primeiro.
  31. [...]
  32. Não podemos achar normal que esse comportamento extremo das redes sociais migre
  33. para o mundo físico. São locais de naturezas distintas e, portanto, de reações com proporções e
  34. consequências diferentes [...]
  35. As redes sociais são uma poderosa ferramenta para obter conhecimento, estreitar laços,
  36. conhecer gente nova, namorar, se entreter. Mas também se mostraram um habitat perfeito para a
  37. ignorância, a intolerância e a truculência. Não é difícil escolher quais dessas características
  38. deveríamos trazer para o mundo real e quais deveriam permanecer nos guetos virtuais.

BRUNO FERRARI 23/12/2015

Disponível em: http://epoca.globo.com/vida/experiencias-

digitais/noticia/2015/12/chico-buarque-e-era-da-grosseria-online.html.

Acessado em 9/02/2016.



Do trecho “Trata-se de um ambiente em que não há espaço para diálogo. Apenas monólogos de quem foi munido por um arsenal de informações recebidas das redes sociais e de sites obscuros e não suporta ser confrontado com uma opinião diferente” (18 a 20), depreende-se que os autores dos “monólogos”

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