Questão 2391560

Língua Portuguesa · 2016

Questão

ID 2391560

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Seminário

Ano: 2016 Banca: OPPUS - Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Bananal


Leia o texto abaixo e assinale a alternativa correta (extraído de http://m.folha.uol.com.br/ilustrissima/2010/07/767532- seminario-discute-crenca-e-ciencia-no-mundocontemporaneo.shtml?mobile. Acesso em 25 abril 2016):

Seminário discute crença e ciência no mundo contemporâneo.

"A pergunta que a civilização tecnocientífica nos põe é: em que crê o homem hoje? Na descrença? Na política? No pensamento? Na religião? Nos valores? Na própria ciência?", diz, em entrevista à Folha, Adauto Novaes, organizador do ciclo de conferências "Mutações - A Invenção das Crenças". Em sua quarta edição, o seminário tematiza o papel da tecnociência na mudança das ideias e práticas em torno das crenças no mundo contemporâneo. Para Novaes, a proposta é "desfazer o equívoco do senso comum que imagina a crença apenas como questão religiosa".

O ciclo reúne debatedores como Sergio Paulo Rouanet, Olgária Matos, Jorge Coli, José Miguel Wisnik, Franklin Leopoldo e Silva, Marcelo Coelho, Vladimir Safatle, o poeta Antonio Cícero, o filósofo e professor na Escola Politécnica de Paris e na Universidade Stanford Jean-Pierre Dupuy e o escritor tunisiano e professor na Universidade de Paris 10 Abdelwahab Meddeb.

"Ao fazer a crítica da ciência, devemos ter cuidado. Devemos distinguir a ciência-saber da ciência-poder, esta, sim, ligada à técnica. É certo que a tecnociência tornou-se a crença privilegiada dos nossos dias. Ela promete desvendar todos os mistérios do homem e do mundo. Lembremos do que diz Gustave Le Bon: o mistério é a alma ignorada das coisas", salienta Novaes.

O ciclo acontece em São Paulo (Sesc Vila Mariana), Rio de Janeiro (ABL), Belo Horizonte (Casa Fiat de Cultura) e Brasília (Caixa Cultural) entre 5/8 e 1º/10. As inscrições começam na próxima terça-feira (em Brasília, a partir do dia 27/7).

Em São Paulo, haverá também exposição, no Sesc Vila Mariana, de fotografias, catálogos, cartazes e livros dos seminários coordenados por Novaes há 30 anos. "Acompanhei com o maior interesse, desde o começo, a atividade cultural de Adauto Novaes, e desde o começo senti o quanto era importante a sua iniciativa de promover ciclos de reflexão sobre questões importantes para o nosso tempo", relata o crítico Antônio Candido.

Folha - Esta é a quarta edição do ciclo de conferências "Mutações". Por que o tema deste ano é "a invenção das crenças"?

Adauto Novaes - De início, para desfazer o equívoco do senso comum que imagina a crença apenas como questão religiosa. Lemos em Montaigne que o homem é o animal que crê. A pergunta que a civilização tecnocientífica nos põe é: em que crê o homem hoje? Na descrença? Na política? No pensamento? Na religião? Nos valores? Na própria ciência? Quando a ordem mantida pelos "valores fiduciários" e a crença no humanismo periclitam, como nos lembra Paul Valéry, a desordem se estabelece em toda a sua brutalidade primitiva. É tempo de superstições e fundamentalismos.

Folha - O que são crenças?

Adauto Novaes - Chegamos à conclusão, no nosso encontro de Tiradentes [em Minas Gerais, reunião dos conferencistas durante a preparação do ciclo], que podemos lidar com vários conceitos de crença. Tendemos a pensar que ela está no reino dos sentimentos e paixões. O filósofo Pascal Engel a define como certo estado mental que leva a dar seu assentimento a determinada representação ou a fazer um julgamento cuja verdade objetiva não é garantida. Engel deixa uma pergunta que deve ser respondida por cada um de nós: como as pessoas podem acreditar não apenas em coisas inacreditáveis, mas também em coisas que elas sabem ser inacreditáveis?

Folha - Como a tecnociência pode transformar as ideias e práticas em torno das crenças?

Adauto Novaes - Ao fazer a crítica da ciência, devemos ter cuidado. Devemos distinguir a ciência-saber da ciência-poder, esta, sim, ligada à técnica. É certo que a tecnociência tornou-se a crença privilegiada dos nossos dias. Ela promete desvendar todos os mistérios do homem e do mundo. Lembremos do que diz Gustave Le Bon: o mistério é a alma ignorada das coisas.

Folha - É possível viver sem crenças?

Adauto Novaes - O iluminismo se iludiu ao imaginar que a razão iria libertar o mundo de suas crenças. Como escreve Franklin Leopoldo e Silva no esboço de sua conferência para o ciclo, a razão demonstra fatos passados, presentes e futuros; a crença cria expectativas que a realidade, mesmo na sua evolução temporal, nem sempre pode apoiar. Bertrand Russell, no livro "Religião e Ciência" [editora Funpec], nos alerta que o maior perigo não está propriamente na religião, mas na "mentalidade religiosa" que pode existir tanto na religião como também nas teorias e sistemas políticos. Mas é preciso ir além, livrar o mundo de toda e qualquer mentalidade religiosa, livrar os laços sociais de qualquer natureza religiosa.

Sobre o texto "Seminário discute crença e ciência no mundo contemporâneo", assinale a alternativa correta:

Alternativas da questão 2391560
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