Questão 2389367

Língua Portuguesa · 2019

Questão

ID 2389367

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Literatura Afro-brasileira

Ano: 2019 Banca: FUNDEP Gestão de Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Mariana


INSTRUÇÃO: Leia o texto I, a seguir, para responder às questões de 1 a 6 e à questão 9.

TEXTO I

Muitas fugiam ao me ver…

Muitas fugiam ao me ver

Pensando que eu não percebia

Outras pediam pra ler

Os versos que eu escrevia

Era papel que eu catava

Para custear o meu viver

E no lixo eu encontrava livros para ler

Quantas coisas eu quiz fazer

Fui tolhida pelo preconceito

Se eu extinguir quero renascer

Num país que predomina o preto

Adeus! Adeus, eu vou morrer!

E deixo esses versos ao meu país

Se é que temos o direito de renascer

Quero um lugar, onde o preto é feliz.

JESUS, C. M. de. Antologia pessoal. Org. José Carlos Sebe

Bom Meihy. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.



Leia o seguinte texto da pesquisadora Margarete Aparecida de Oliveira sobre a escrita de Carolina Maria de Jesus.

“Carolina Maria de Jesus faz parte de um grupo de escritores cujas narrativas foram produzidas por vozes advindas de esferas subalternas. [...] Sua expressão literária do cotidiano é direta, na qual se organiza uma forte representação da prática social urbana, vista por aqueles que foram deixados à margem. A favela foi apresentada por Carolina como um local penoso, insignificante aos olhos da sociedade: ‘Cheguei ao inferno. Devo incluir-me, porque eu também sou da favela. Sou rebotalho. Estou no quarto de despejo, e o que está no quarto de despejo ou queima-se ou joga-se no lixo.’ (JESUS, 2012, p. 38). Neste espaço, Carolina sobrevive de restos da cidade, em uma economia limite, ela, seus filhos e seus vizinhos se alimentam das sobras dessa população. O fato de sua escrita estar vinculada à sua própria experiência no espaço periférico torna esse processo, uma estratégia de ação que rompe a compreensão da literatura já estabelecida pela crítica. Dessa forma, o texto caroliniano apresentou um ambiente urbano pouco conhecido até então nas décadas de 50-60, a favela. Escrito por quem vivenciou a miséria e testemunhou a violência diária e é capaz de transformá-la em objeto de uma narrativa sob uma nova perspectiva.”

Disponível em: <encurtador.com.br/lnLNQ>. Acesso em: 18 out. 2019.

Considere os seguintes trechos de obras de Carolina Maria de Jesus.

I. “Era papel que eu catava / Para custear o meu viver.”

II. “Um dia, ouvi de minha mãe que meu pai era de Araxá, e seu nome era João Cândido Veloso. E o nome da minha avó era Joana Veloso. Que meu pai tocava violão e não gostava de trabalhar [...].” (JESUS, 2007, p. 7).

III. “27 DE MAIO – Percebi que no Frigorífico jogam creolina no lixo, para o favelado não catar a carne para comer. Não tomei café, ia andando meio tonta. A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estomago.” (JESUS, 2012, p. 45)

IV. “13 DE MAIO – Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia daAbolição.” (JESUS, 2012, p. 31)

A partir das considerações da pesquisadora, os trechos que retratam a escrita crítica e denunciante de Carolina Maria de Jesus são

Alternativas da questão 2389367
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