Questão
ID 2375260Disciplina: Metodologia Científica
Assuntos: Tipos de Conhecimento (científico, filosófico, teológico, popular/senso comum)
Ano: 2019 Banca: Crescer Consultorias Órgão: Prefeitura Municipal de Brejo de Areia
AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
- O conhecimento científico é uma conquista relativamente recente da humanidade. A revolução científica do século
- XVII marca a autonomia da ciência, a partir do momento que ela busca seu próprio método desligado da reflexão filosófica.
- O exemplo clássico de procedimento científico das ciências experimentais nos mostra o seguinte: inicialmente há
- um problema que desafia a inteligência humana, o cientista elabora uma hipótese e estabelece as condições para seu
- controle, a fim de confirmá-la ou não, porém nem sempre a conclusão é imediata sendo necessário repetir as experiências
- ou alterar inúmeras vezes às hipóteses.
- A conclusão é então generalizada, ou seja, considerada válida não só para aquela situação, mas para outras
- similares. Assim, a ciência, de acordo com o pensamento do senso comum, busca compreender a realidade de maneira
- racional, descobrindo relações universais e necessárias entre os fenômenos, o que permite prever acontecimentos e,
- consequentemente também agir sobre a natureza. Para tanto, a ciência utiliza métodos rigorosos e atinge um tipo de
- conhecimento sistemático, preciso e objetivo.
- Nos primórdios da civilização os gregos foram os primeiros a desenvolver um tipo de conhecimento racional mais
- desligado do mito, porém, foi o pensamento laico, não religioso, que logo se tornou rigoroso e conceitual fazendo nascer a
- filosofia no século VI a.C.
- Nas colônias gregas da Jônia e Magna Grécia, surgiu os primeiros filósofos, e sua principal preocupação era a
- cosmologia, ou estudo da natureza. Buscavam o princípio explicativo de todas as coisas (arché), cuja unidade resumiria a
- extrema multiplicidade da natureza. As respostas eram as mais variadas, mas a teoria que permaneceu por mais tempo foi
- a de Empédocles, para quem o mundo físico é constituído de quatro elementos: terra, água, ar e fogo.
- Muitos desses filósofos, tais como Tales e Pitágoras no século VI a.C. e Euclides no século III a.C. ocupavam-se
- com astronomia e geometria, mas, diferentemente dos egípcios e babilônios, desligavam-se de preocupações religiosas e
- práticas, voltando-se para questões mais teóricas. [..].
- O método científico inicialmente ocorre do seguinte modo: há um problema que desafia a inteligência; o cientista
- elabora uma hipótese e estabelece as condições para seu controle, a fim de confirmá-la ou não. A conclusão é então
- generalizada, ou seja, considerada válida não só para aquela situação, mas para outras similares. Além disso, quase nunca
- se trata de um trabalho solitário do cientista, pois, hoje em dia, cada vez mais as pesquisas são objeto de atenção de grupos
- especializados ligados, às universidades, as empresas ou ao Estado. De qualquer forma, a objetividade da ciência resulta
- do julgamento feito pelos membros da comunidade científica que avaliam criticamente os procedimentos utilizados e as
- conclusões, divulgadas em revistas especializadas e congressos.
- Assim, dentro da visão do senso comum (isto é, um vasto conjunto de concepções geralmente aceita como
- verdadeiras num determinado meio social. Repetidas irrefletidamente no cotidiano, algumas dessas noções escondem ideias
- falsas, parciais ou preconceituosas. É uma falta de fundamentação, tratando-se de um conhecimento adquirido sem base
- crítica, precisa, coerente e sistemática), a ciência busca compreender a realidade de maneira racional, descobrindo relações
- universais e necessárias entre os fenômenos, o que permite prever os acontecimentos e, consequentemente, também agir
- sobre a natureza. Para tanto, a ciência utiliza métodos rigorosos e atinge um tipo de conhecimento sistemático, preciso e
- objetivo. Entretanto, apesar do rigor do método, não é conveniente pensar que a ciência é um conhecimento certo e
- definitivo, pois ela avança em contínuo processo de investigação que supõe alterações à medida que surgem fatos novos,
- ou quando são inventados novos instrumentos.
- Por exemplo, nos séculos XVIII e XIX, as leis de Newton foram reformuladas por diversos matemáticos que
- desenvolveram técnicas para aplicá-las de maneira mais precisa. No século XX, a teoria da relatividade de Einstein
- desmentiu a concepção clássica que a luz se propaga em linha reta. Isso serve para mostrar o caráter provisório do
- conhecimento científico sem, no entanto, desmerecer a seriedade e o rigor do método e dos resultados. Ou seja, as leis e as
- teorias continuam sendo de fato hipóteses com diversos graus de confirmação e verifica a habilidade, podendo ser
- aperfeiçoadas ou superadas.
- A partir da explanação feita acima será que podemos afirmar que existe um método universal? Será que os métodos
- universais devem ser considerados válidos para situações diversas? E tendo situações diferentes podemos qualificá-las
- como universais? Como descrever relações universais através de métodos “individuais”? Será que esse tipo de método é
- realmente válido universalmente? Será que podemos nomear o método como sendo universal?
- Segundo Alan Chalmers, em sua obra A Fabricação da ciência, “a generalidade e o grau de aplicabilidade de leis
- e teorias estão sujeitos a um constante aperfeiçoamento”. A partir dessa afirmação podemos concluir que o método
- universal, na realidade, não é tão genérico assim, ou melhor, não é tão absoluto, pois está sujeito a uma substituição
- constante. Para Chalmers, não existe nenhum método universal ou conjunto de padrão universal, entretanto, permanecem
- modelos históricos ocasionais subentendidos nas atividades bem-sucedidas, porém, isso não significa que vale tudo na área
- epistemológica.
- A questão da substituição constante das teorias ficou bem explícita na sucinta explanação da história da ciência
- realizada anteriormente, onde tivemos a clara mudança de uma teoria, método ou hipótese por outra mais coerente dentro
- de sua época histórica e/ou científica.
- Diante disso tudo que foi visto, do conhecimento científico e senso comum, podemos, pelo menos, fundamentar
- que a ciência tem por objetivo estabelecer generalizações aplicáveis ao mundo, pois desde a época da revolução estamos
- em posição de saber que essas generalizações científicas não podem ser estabelecidas a priori; temos que aceitar que a
- exigência de certeza é mera utopia. Entretanto, a exigência de que nosso conhecimento esteja sempre sendo transformado,
- aperfeiçoado e ampliado é pura realidade.
- FONTE: https://www.coladaweb.com/filosofia/conhecimento-cientifico-e-senso-comum
O texto revela