Questão 2354368

Língua Portuguesa · 2017

Questão

ID 2354368

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Fatores de Próclise

Ano: 2017 Banca: CPCON UEPB - Comissão Permanente de Concursos da Universidade Estadual da Paraíba Órgão: Câmara de Ouro Branco


TEXTO 02

Os infinitos arredores

Não pergunte quem eu sou, que não sou uno. Sou várias respostas, primo e par, sou múltiplo e infinito, sou átomo. O universo interior e o cosmo lá fora. Útero e esperma, concepção e abortos. Natividade e morte, plasma de todas as geratrizes. O divino e o satânico, o anjo e o demônio, a flor e o espinho, a semente e a terra, a perdição e o louvor. Aminha resposta é múltipla porque não me sei. E a sua indagação se perde no meu vário, ovário.

Se eu me defino, castro-me, pois identifico-me parte. A gradação de uma escala não executa a escala. É uma sugestão de grandeza que se pode diluir na profundeza de uma síncope ou no abissal de uma explosão. Na verdade, às vezes, me busco lá fora, na multidão das gentes e das coisas. Então me disperso em passos e voos, cada vez menos identificáveis. Às vezes, me busco por dentro e maior a multidão e mais me espalho, pulverizo na refração do ser.

Sem dúvida, sou a procura do todo, a agonia do homem. O primeiro passo, como a primeira palavra e o primeiro gesto, é a perdição do eu, a danação do indivíduo, cosmopolita de sensações. Nem o rastro, nem o eco respondem mais pela unidade do passo e da palavra [...].

MARACAJÁ, Robério. Cerca de Varas. Campina Grande: Latus, 2014, p. 223.



Em “Aminha resposta é múltipla porque não me sei”, pode-se afirmar que

I- há um caso de próclise pela exigência da partícula negativa.

II- o termo “porque” é um elo coesivo, justificando o que foi dito anteriormente.

III- “Aminha resposta é múltipla” não apresenta nenhuma sintonia com as inquietações do autor sobre si mesmo.

Conclui-se que

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