Questão
ID 2345383Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Período Composto
Ano: 2018 Banca: Dédalus Concursos Órgão: Conselho Regional dos Representantes Comerciais da Bahia
(Texto)
1 "O discurso atual é, sim, de que precisamos nos adaptar a um
fenômeno que seria irreversível", diz o francês Christophe
Bouton, professor de Filosofia da Universidade de Bordeaux
Montaigne e autor do livro "Le temps de I'urgence" ("O tempo
5 da urgência", em tradução livre).
Para ele, vigora hoje uma crença de que urgência e
desenvolvimento estão ligados: daí a angústia quando não
conseguimos acompanhar essa aceleração. No capitalismo, o
tempo é racionalizado ao extremo(a), e um segundo ganho pode
10 fazer diferença. Então, primeiro, otimizamos o tempo no
trabalho. Depois, trazemos essa otimização para fora dele. E
até nos sentimos culpados se não usamos(b) ao máximo nosso
tempo livre.
A urgência como modelo de gestão do tempo é um conceito
15 que remonta ao fim do século XVIII. Mas, de tão absorvidos no
nosso cotidiano, parece ter virado algo inerente ao ser humano.
E tudo piorou com computadores e smartphones, que
facilitaram a invasão das esferas. Por emails, redes sociais,
aplicativos, o trabalho chega à nossa casa, os amigos pipocam
20 no escritório, a família nos encontra em qualquer lugar.
Eis aí um dos grandes paradoxos da tecnologia: ao simplificar
tarefas, ela nos prometeu liberdade. Mas estamos
todos produzindo mais e mais no mesmo tempo. Entramos no ritmo
acelerado das máquinas, como argumenta a filósofa e
25 professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ, Maria
Cristina Franco Ferraz. Até nossos corpos, ela diz, estão se
tornando cada vez mais "compatíveis" com os modos de
produção.
Autora do livro "Ruminações: cultura letrada e dispersão
30 hiperconectada", ela chama atenção para os efeitos que o
estilo de vida contemporâneo, crescentemente online, nonstop
e hiperconectado, têm(c) sobre a experiência humana. "Isso
achata a medida do tempo", diz Maria Cristina. "Há(d) uma
espécie de fragmentação excessiva do nosso desejo e
35 atenção, que pouco consegue pousar sobre as coisas. Se
estamos sempre online, estamos sempre capturados",
continua.
(Adaptado de oglobo.globo.com/cultura, 30/06/2018)
Sobre as orações:
(1)- “se não usamos ao máximo nosso tempo livre” (linhas 12 e 13); e
(2)- “que remonta ao fim do século XVIII” (linha 15).
Assinale a alternativa correta: