Questão 2300193

Filosofia · 2020

Questão

ID 2300193

Disciplina: Filosofia

Assunto: René Descartes

Ano: 2020 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Prefeitura Municipal de Barra dos Coqueiros


Texto CG1A1-II

1 A ideia de sujeito é um legado da filosofia moderna.

Trata-se de uma das noções fundadoras do humanismo e de

alguns dos principais valores do mundo ocidental. Embora

4 encontremos referências às faculdades e disposições da

subjetividade (razão, paixões, vontades, desejos) ao longo dos

pensamentos antigo e medieval, é somente com René Descartes

7 que a noção de sujeito é constituída sob a égide de sua filosofia

da consciência. O sujeito cartesiano emerge para a filosofia

como um composto de alma e corpo, cuja atividade

10 fundamental, o pensamento, edifica as bases de todo

conhecimento possível. Com Descartes surge, pois, o sujeito

cognoscente, cuja prerrogativa fundamental consiste no uso do

13 intelecto, que, enquanto faculdade da alma, se impõe como

única via de acesso à verdade. De posse desse atributo

superior, o ser humano torna-se capaz de compreender a

16 constituição do seu corpo e apreender a realidade do mundo. O

privilégio do pensamento tem como contraponto o menosprezo

das paixões que animam a vida do indivíduo.

19 A história do pensamento demonstra, porém, que, aos

poucos, a noção de sujeito ampliou seus horizontes de

revelação. A consciência cognoscente, que definia o sujeito

22 apenas com base em sua relação com o objeto (mundo), foi

enriquecida em suas funções a partir do momento em que a

subjetividade tornou-se também reconhecida como fluxo de

25 vivências corporais e mentais. À natureza do sujeito,

constituída até então por pensamentos e intuições, foram

acrescidos percepções, sentimentos e emoções. O sujeito, em

28 sua tessitura psicológica, passou a ser representado sob a forma

de eu. O eu define o modo como percebemos, sentimos,

intuímos, decidimos, escolhemos, imaginamos, tudo que se nos

31 refere e nos afeta em nossa dimensão existencial. Esta

consciência que vive sua interioridade (identidade do eu) e

interage com o mundo é também situada no espaço onde

34 convivem outras consciências. O eu encontra aqui o seu

correlato: o outro.

Marconi Pequeno. Sujeito, autonomia e moral. In: Rosa Maria Godoy Silveira et al. Educação em direitos humanos: fundamentos teórico-metodológicos. João Pessoa: Editora Universitária, 2007, p. 187-8 (com adaptações).



De acordo com o texto CG1A1-II, o sujeito cartesiano

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