Questão
ID 2298424Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Reorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Ano: 2022 Banca: IBAM - Instituto Brasileiro de Administração Municipal Órgão: Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro
Texto: A CIDADE DO SÉCULO 21 EXIGE UM NOVO PARADIGMA PARA A RUA
O século 20 foi o século do carro. Nos Estados Unidos do pós-guerra, o governo dedicou recursos para a criação de uma rede de estradas por todo o país e mudou a cara das cidades: ruas largas, amplas faixas de rolamento, velocidades altas e pouquíssimo espaço para os pedestres. Hoje, pessoas que construíram essa infraestrutura parecem estar se arrependendo. É o caso do engenheiro de trânsito norte-americano Charles Marohn, que lançou um livro emblemático. Depois de trabalhar anos construindo ruas mais largas e rápidas, ele se deu conta de ter contribuído para criar lugares mais perigosos e com menos vitalidade.
No seu livro Confessions of a recovering engineer [“Confissões de um engenheiro em recuperação”], ainda sem edição em português, ele trata com candura surpreendente a sua conversão. Depois de sofrer um acidente, ele começou a pregar pela revisão do paradigma para as ruas. Mais do que espaço de passagem de veículos, a rua é o lugar onde a vida acontece. Marohn cunhou o termo stroads (streets+roads), que em português poderia ser algo como “rodorruas” ou “estraduas”: são as ruas que têm casas, atividades comerciais, escolas, mas onde os veículos trafegam em velocidades de estradas.
É um gancho interessante para pensarmos na transformação das ruas brasileiras. Durante anos, nós também perseguimos o aumento da fluidez dos veículos ao custo da urbanidade. Na expansão das cidades médias brasileiras, essas “rodorruas” parecem ser uma configuração cada vez mais comum.
Em São Paulo, a invasão automobilística está por todas as partes. Não só nas vias expressas como as marginais, a Radial e o Minhocão, mas também nas ruas que foram sendo engolidas pelo trânsito – a Prestes Maia, a Tiradentes, a Washington Luiz, a Avenida do Estado, a Ricardo Jafet, e até ruas de bairro como a Cardeal Arcoverde são ruas onde o convívio fica abafado pelo trânsito avassalador. As calçadas parecem apertadinhas, os predinhos originais perdem valor, os salões de cabeleireiras, os botecos e as lojinhas tentam conviver com o barulho e a poluição, enquanto as pessoas se acotovelam nas filas dos ônibus.
Há muitos tipos de modelo sendo discutidos e implantados no mundo todo. Um dos mais conhecidos é o conceito de ruas completas – aquelas que são desenhadas para garantir uso seguro e mobilidade para todos os usuários. Isso diz respeito a pessoas de todas as idades e habilidades, sejam motoristas, pedestres, ciclistas ou passageiros do transporte público. Algumas providências para melhorar a vitalidade das ruas, porém, são quase consensuais.
A primeira coisa a se fazer é pensar nas calçadas e travessias. A calçada é o item básico da urbanidade, é barata e razoavelmente simples de arrumar. Nas periferias, com ruas mais estreitas e calçadas quase inexistentes, a solução precisa passar por um desenho urbano que desestimule a velocidade dos automóveis e que permita o uso compartilhado.
MAURO CALLIARI Adaptado de www1.folha.uol.com.br, 17/06/2022.
Em São Paulo, a invasão automobilística está por todas as partes. (4º parágrafo)
De modo a manter a coesão com o exposto no parágrafo antecedente, a frase acima poderia sofrer a seguinte reformulação: