Questão
ID 2247373Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Casos Especiais de Crase
Ano: 2026 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de BOM JESUS
Pinguim de geladeira
Por Rafael Battaglia Popp
- Uma das minhas primeiras memórias de criança é o dia em que os meus irmãos mais
- novos nasceram. Ou melhor, o dia seguinte. Eu e meu pai despertamos com o sol que entrava
- pela janela do quarto dele. Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na
- Avenida Paulista. Uma viagem de distância intergaláctica quando se tem 2 anos e pouco. E depois
- disso também. No caminho, decidimos levar um presente para a minha mãe e os gêmeos. Não
- sei onde meu pai estava com a cabeça, mas eu fiquei encarregado da decisão. Compramos um
- pinguim de geladeira.
- A história desse tipo de enfeite começou nos anos 1950. Antes dos modelos retos e em
- inox, as geladeiras tinham jeitão de móvel, com design mais robusto e colorido. Para evitar que
- as pessoas confundissem os seus refrigeradores com outros itens nas lojas, a fabricante
- Kelvinator começou a distribuir pinguins de cerâmica aos vendedores, para que eles os
- colocassem em cima dos aparelhos da empresa. Uma forma de distinção que pegou: com o
- tempo, as pessoas começaram a pedir para levar também as estatuetas. Elas foram bastante
- populares até algumas décadas atrás. Hoje, nem tanto. Pertencem ao mesmo grupo do relógio
- de parede, da fruta de plástico e da capa de botijão em crochê. Do alto da geladeira, os pinguins
- ___ a vida passar no cômodo mais cheio de vida das casas brasileiras: a cozinha. Testemunham
- cafezinhos e almoços de domingo, mas também DRs e brigas de família. Tudo isso de forma
- discreta, com cara (ou seria bico?) de paisagem. Em resumo: dariam ótimos fofoqueiros. E você
- vai entender que isso não é necessariamente algo ruim.
- Convido os leitores a ___ de lado o preconceito contra a fofoca por um momento e
- analisá-la sob as lentes da psicologia evolucionista. Fuxicar tem seu lado ruim, claro – mas
- também nos dá munição para entender o mundo ao nosso redor, além de ajudar a regular o
- convívio social. Sem tricotar, talvez não tivéssemos chegado até aqui.
- Colocando isso em prática, vou compartilhar duas fofocas do bem. A primeira é sobre uma
- colega de trabalho: este é o seu último mês na revista antes de começar em um novo emprego
- bacana. Sentiremos saudade – mas conforta saber que ela continuará produzindo ótimas
- matérias. Seguirei como um fiel leitor. A segunda é sobre o pinguim que comprei 25 anos atrás.
- No momento em que escrevo este texto, ele saiu do armário de casa (já bem desbotado, coitado)
- e se encontra naquele mesmo hospital da Paulista. Desta vez, nas mãos da minha irmã,
- Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice, a quem dedico esta edição. O bom pinguim
- ...... casa torna.
- Até logo, caro leitor. Fofoque com moderação.
(Disponível em: //super.abril.com.br/cronica/pinguim-de-geladeira/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas dos trechos a seguir, retirados do texto.
“Rapidinho saímos de casa, em Guarulhos, rumo ..... maternidade na Avenida Paulista”.
“Desta vez, nas mãos da minha irmã, Fernanda, que deu ..... luz sua primeira filha, Alice”.
“O bom pinguim ...... casa torna”.