Questão 2184254

Língua Portuguesa · 2020

Questão

ID 2184254

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Viés

Ano: 2020 Banca: EPCAR - Escola Preparatória de Cadetes do Ar Órgão: Escola Preparatória de Cadetes do Ar


TEXTO I

As mulheres são vítimas de violência porque são mulheres

Wânia Pasinato

Nos últimos anos, a violência contra as

mulheres no Brasil vem se tornando assunto público e

reconhecido como problema ao qual qualquer mulher,

independentemente de raça, cor, etnia, idade ou classe

05---social pode estar sujeita. Trata-se de reconhecer que asocial pode estar sujeita. Trata-se de reconhecer que a

violência não é um infortúnio pessoal, mas tem origem

na constituição desigual dos lugares de homens e

mulheres nas sociedades – a desigualdade de gênero -,

que tem implicações não apenas nos papéis sociais do

10---masculino e feminino e nos comportamentos sexuais,masculino e feminino e nos comportamentos sexuais,

mas também em uma relação de poder. Em outras

palavras, significa dizer que a desigualdade é estrutural.

Ou seja, social, histórica e culturalmente a sociedade

designa às mulheres um lugar de submissão e menor

15---poder em relação aos homens. Qualquer outro fator – opoder em relação aos homens. Qualquer outro fator – o

desemprego, o alcoolismo, o ciúme, o comportamento

da mulher, seu jeito de vestir ou exercer sua

sexualidade – não são causas, mas justificativas

socialmente aceitas para que as mulheres continuem a

20---sofrer violência.sofrer violência.

(...) Em anos recentes, esse reconhecimento foi

acompanhado por mudanças na forma como devemos

responder a essa violência, atacando não as

justificativas, mas as causas. O país tornou-se

25---referência internacional com a Lei 11.340/2006 – a Leireferência internacional com a Lei 11.340/2006 – a Lei

Maria da Penha, cujo diferencial é a forma de abordar o

problema, propondo a criminalização e a aplicação de

penas para os agressores, mas também medidas que

são dirigidas às mulheres para a proteção de sua

30---integridade física e de seus direitos, além de medidasintegridade física e de seus direitos, além de medidas

de prevenção destinadas a modificar as relações entre

homens e mulheres na sociedade, campo no qual a

educação desempenha papel estratégico. Apesar de

tudo, o Brasil segue sendo um país violento para as

35---mulheres. Anualmente são registradas centenas demulheres. Anualmente são registradas centenas de

ocorrências de violência doméstica, de violência sexual,

além das elevadas taxas de homicídios de mulheres

que, quando motivadas pelas razões de gênero, são

tipificadas como feminicídios. Esses números

40---expressam uma parte do problema e comumenteexpressam uma parte do problema e comumente

dizemos que a subnotificação é uma característica

dessas situações.

O medo, a dúvida, a vergonha são algumas

explicações para esse silêncio, mas novamente nos

45---contentamos em olhar para as justificativas e não paracontentamos em olhar para as justificativas e não para

as causas. (...)

De modo geral, mudamos as leis, mas não a

forma como as instituições funcionam. O Sistema de

Justiça segue atuando de forma seletiva e distribuindo

50---de forma desigual o acesso à Justiça. Existem poucosde forma desigual o acesso à Justiça. Existem poucos

serviços especializados para atender as mulheres em

situação de violência. Faltam protocolos que orientem o

atendimento. Falta capacitação para os profissionais

cuja atuação é muitas vezes balizada por convicções

55---pessoais e julgamentos de valor que nada têm a verpessoais e julgamentos de valor que nada têm a ver

com os direitos humanos. (...)

undefined

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/notícia/2018/02/violencia-contra-mulher-wania-pasinato.html - Acesso em 30/06/2020

TEXTO II

Porém igualmente

É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália

apanhando. É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália

sangrando. Porém igualmente se surpreenderam na

noite em que, mais bêbado que de costume, o marido,

05--depois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Euláliadepois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Eulália

rompeu em asas o voo de sua trajetória.

(COLASANTI, Marina. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L & PM, 1999.)

Sobre o texto II, de Marina Colasanti, e o texto III, de Chico Buarque, é correto afirmar que

TEXTO V

Disponível em: https://amarildocharge.wordpress.com/2018/10/27/janelas/ - Acesso em

30/06/2020

Disponível em: https://www.humorpolitico.com.br/pxeira/precisamos-lutarjunts-contra-essa-barbarie-eumetoacolher/- Acesso em 30/06/2020



TEXTO II

Porém igualmente

É uma santa. Diziam os vizinhos. E D. Eulália

apanhando. É um anjo. Diziam os parentes. E D. Eulália

sangrando. Porém igualmente se surpreenderam na

noite em que, mais bêbado que de costume, o marido,

05--depois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Euláliadepois de surrá-la, jogou-a pela janela, e D. Eulália

rompeu em asas o voo de sua trajetória.

.

(COLASANTI, Marina. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L & PM, 1999.)

TEXTO III

Mulheres de Atenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Vivem pros seus maridos

Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas, se perfumam

Se banham com leite, se

Arrumam

Suas melenas

Quando fustigadas não choram

Se ajoelham, pedem, imploram

Mais duras penas; cadenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Sofrem pros seus maridos

Poder e Força de Atenas

(...)

Elas não têm gosto ou vontade

Nem defeito, nem qualidade

Têm medo apenas

Não têm sonhos, só têm

Presságios

O seu homem, mares,

Naufrágios

Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres de Atenas

Temem por seus maridos

Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas

E as gestantes abandonadas

Não fazem cenas

Vestem-se de negro, se

Encolhem

Se conformam e se recolhem

Às suas novenas, serenas

(HOLANDA, Chico ue de. Meus caros amigos. LP, 1976. Phonogram/Philips)

TEXTO IV

Apelo

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe

de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti

falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de

esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom

05---ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagemainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem

de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez

coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha

de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da

10---escada. Toda a casa era um corredor deserto, até oescada. Toda a casa era um corredor deserto, até o

canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah,

Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite

eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença,

última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

15---Sentia falta da pequena briga pelo sal noSentia falta da pequena briga pelo sal no

tomate – meu jeito de querer bem. Acaso é saudade,

Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei

água e elas murcham. Não tenho botão na camisa.

Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha?

20---Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar comNenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com

os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa,

Senhora, por favor.

(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ª ed. Record. Rio de Janeiro, 1996.)

(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ª ed. Record. Rio de Janeiro, 1996.)

Assinale a alternativa que analisa de modo INCORRETO a relação entre sentido e construção linguística dos textos desta prova.

Alternativas da questão 2184254
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