Questão
ID 2168941Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Crônica
Ano: 2023 Banca: FUNDEP Gestão de Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Lavras
Josias, narrador esportivo: E qual é a expectativa pro desempenho do Carlos, Karen?
Karen, comentarista: Expectativa muito boa, Joca. Apesar de jovem, o Carlos apresenta um físico de poeta maduro: careca, óculos, uma cifose de responsa. Não chega a ser tísico, mas impressiona.
JNE: Maravilha. Carlos que nasceu em Itabira, Minas Gerais e... Ó lá, abriu o caderno! Caneta na mão, vai começar, vai começar, começou!
“No meio do caminho tinha uma pedra”.
KC: Começou arriscando muito o poeta mineiro, citando aí a Divina Comédia, do Dante Alighieri: “No meio do caminho desta vida/ me vi perdido numa selva escura”, só que em vez do decassílabo do Dante ele meteu uma sílaba a mais. Ousou.
JNE: Quebra tuuuuudo, Carlos! E o Dante Alighieri, aí, pra quem não sabe, nasceu em Florença, em 1265 e... Botou a caneta no papel de novo! Vamos ver que que ele vai aprontar agora!
“tinha uma pedra no meio do caminho/ tinha uma pedra”.
KC: Encaixou agora um “invert” de “backside”, que é uma repetição invertida. E vai sem rima e sem métrica, hein? Parece uma técnica muito simples, mas pra fazer direito é casca. Vale lembrar que Itabira é uma cidade com muita pedra, na hora de pontuar os juízes levam em consideração a verdade do poema. Sem falar na questão do “tinha”, né? Na poesia os juízes costumam esperar o “havia”, mais formal, e o Carlos manda aí três “tinha” na sequência.
JCE: É invocado o itabirano! Começou levantado o sarrafo lá pro alto com Dante, aí jogou o leitor na lona com esse ippon do “tinha”. É a giiiiiiinga do poeta brasileiro!
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2021/08/dez-versos-livres-com-barreiras.shtml. Acesso em: 30 abr. 2022.
Nessa crônica de Antonio Prata, observa-se que o autor