Questão
ID 2131934Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Emprego dos Tempos Verbais
Ano: 2016 Banca: FADESP - Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa Órgão: Prefeitura Municipal de Mojuí dos Campos
LEIA O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.
A Perca
- Da série “só acontece comigo”: estava parada num sinal da Avenida Ipiranga quando
- um carro encostou ao lado do meu. A motorista abriu a janela e pediu para eu abrir a
- minha. Era uma moça simpática que me perguntou:
- – Martha, o certo é dizer perda ou perca?
- – Hãn?
- – É perda de tempo ou perca de tempo? Como se diz?
- A pergunta era tão inusitada para a hora e o local, tão surpreendente, vinda de
- alguém que eu não conhecia, que me deu um branco: por um milésimo de segundo eu não
- soube o que responder. Perca de tempo, isso existe? Então o sinal abriu, os carros da frente
- começaram a engatar a primeira, eu olhei para ela e disse:
- – É perda de tempo.
- Ela sorriu em agradecimento e foi em frente. Meu carro ainda ficou um tempo parado. Eu
- parada no tempo. Perca de tempo.
- Dei uma risada e segui meu rumo também.
- Se alguém te diz “não perca tempo”, e todos te dizem isso o tempo todo, como não
- confundir? Tantos confundem. São coagidos a tal.
- E, cá entre nós, a “perca” parece mais amena do que a “perda”.
- A perca de um amor é quase tão corriqueira como a perca do capítulo da novela. A perca
- é feira livre. A perca é festiva. A perca é música popular.
- Já a perda é sinfonia de Beethoven.
- A perca acontece no verão. A perca de uma cadeirinha de praia, a perca de um palito
- premiado de picolé.
- As perdas acontecem no inverno.
- A perca é simplória, a perca é distraída, a perca é provisória, logo, logo reencontrarão o
- que está faltando.
- A perda é para sempre.
- As percas reinventam o vocabulário e seu sentido, não são graves, as percas são
- imperfeições perdoáveis, as percas são inocentes.
- As perdas são catastróficas, nada têm de folclóricas.
- A perca é um erro gramatical, e apenas esse erro ela contém. De resto, não faz mal a
- ninguém.
- A perda é um acerto gramatical, mas só esse acerto ela contém. De resto, é brutal.
- Se eu pudesse voltar no tempo, reconstituiria a cena de outra forma:
- – Martha, é perda de tempo ou perca de tempo? Como é que se diz?
- – O correto é dizer perda, mas é muito solene. Perca dói menos por ser mais trivial.
MEDEIROS, Martha. Feliz por nada. Porto Alegre - RS: L&PM, 2014, p. 191-192.
No trecho “Da série “só acontece comigo”: estava parada num sinal da Avenida Ipiranga quando um carro encostou ao lado do meu. A motorista abriu a janela e pediu para eu abrir a minha” (l. 1 a 3), os verbos sublinhados expressam