Questão
ID 213057Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Emprego dos Tempos Verbais
Ano: 2025 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Logo ali
Por Helô Bacichetti
- Há distâncias que cabem numa esquina. O longe, ___ vezes, é só um tempo que se
- encolhe, um retrato que sorri do nada, um nome que volta sem ser chamado. A gente caminha
- quilômetros sem sair do lugar, porque dentro da memória, as distâncias se redesenham. Quando
- o longe é logo ali, não é o espaço que importa, mas a sensação de que o que parecia distante
- está mais perto do que se imagina.
- Moro num estado que já nasce grande no nome. O que chamam de rio grande é também
- terra grande do Sul: campos que se estendem até onde o olhar alcança, serras que recortam o
- horizonte e estações que mudam quase de repente, como se as horas carregassem as quatro
- num só dia.
- Quando eu era criança, saía com meus primos para nadar no rio Tomé, em Cazuza
- Ferreira. Um deles sempre dizia, quando se tratava de distância, que era logo ali. Mas esse “logo
- ali” era um longe que cansava as pernas, e ainda assim, parecia perto quando a gente ria pelo
- caminho. Descobri cedo que a distância não é igual para todos: depende da pressa, da
- companhia, até do humor.
- Barbosa Lessa, que fez da tradição gaúcha sua matéria de escrita, lembrava desses
- modos de medir o mundo. O tropeiro dizia que o destino estava “a duas mateadas de distância”.
- Outro, quando lhe perguntavam se faltava muito, respondia: “Bah, guri, é ali adiante. Mas não
- te apura, que a pressa só faz o pingo suar antes da hora”. Assim, para o campeiro, longe e perto
- deixam de ser coordenadas e se transformam em conversa, pausa e paisagem.
- Alguns dias atrás, percorri cidades que, para mim, guardam uma distância incalculável.
- De Caxias ___ Uruguaiana, depois Alegrete, São Borja, de lá para Porto Alegre e, por fim, de
- Porto Alegre de volta para Caxias. Olhando as paisagens pelo caminho, percebi algo curioso:
- mesmo sendo tão distantes da minha verdadeira origem, eu me via naquele percurso. Enquanto
- o caminho se desdobrava, cada curva da estrada, cada rio e cada horizonte pareciam me lembrar
- de que, em alguns momentos, a distância não se mede em quilômetros, mas em familiaridade
- que carregamos dentro de nós.
- Tenho em meu sangue, como tantos brasileiros, traços italianos, indígenas, alemães,
- franceses e portugueses. Talvez por isso me sinta um pouco nômade, sempre disposta ___
- abraçar um pedaço do coração de cada cidade. No fundo, aprendi que o mundo é maior do que
- qualquer mapa e que a verdadeira grandeza está em reconhecer-se nos caminhos e pertencer,
- ainda que um pouco, a todos os lugares por onde se passa.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2025/09/logo-ali-cmfreezeq02h4014yt2jak6ia.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o emprego dos tempos verbais ao longo do texto, analise as assertivas a seguir:
I. No segundo parágrafo, a autora emprega verbos no presente do indicativo a fim de descrever o estado em que vive na atualidade, algo que é perene.
II. No terceiro parágrafo, a autora emprega a maioria dos verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo a fim de imprimir um caráter de possibilidade ao que narra.
III. No quinto parágrafo, ao narrar fatos vividos por ela, a autora alterna entre o uso do pretérito perfeito e do imperfeito do indicativo.
Quais estão corretas?