Questão
ID 2123975Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: poema
Ano: 2019 Banca: Colégio Pedro II Órgão: Colégio Pedro II
Texto II
A PROFESSORA E A MALETA
1____A Professora era gorducha; a maleta também. A Professora era jovem; a maleta era velha,
meio estragada [...].
A Professora gostava de ver a classe contente, mal entrava na aula e já ia contando uma coisa
engraçada. Depois abria a maleta e escolhia o pacote do dia. Tinha pacote pequenininho, médio,
5 grande, tinha pacote embrulhado em papel de seda, metido em saquinho de plástico, tinha pacote de
tudo quanto é cor; não era à toa que a maleta ficava gorda daquele jeito.
Só pela cor do pacote as crianças já sabiam o que é que ia acontecer: pacote azul era dia de
inventar brincadeira de juntar menino e menina; não ficava mais valendo aquela história mofada de
menino só brinca disso, menina só brinca daquilo, meninos do lado de cá, meninas do lado de lá.
10 Pacote cor-de-rosa era dia de aprender a cozinhar. A Professora remexia no pacote, entrava e saía
da classe e, de repente, pronto! montava um fogão com bujãozinho de gás e tudo. Era um tal de
experimentar receita que só vendo.
[...] E tinha um pacote branco que só servia pra Professora esconder e pra turma brincar de
achar. Quem achava ia pro quadro-negro dar aula. [...]
15__ _No dia que Alexandre achou o pacote, resolveu contar pra turma como é que ele vendia
amendoim na praia. No melhor da aula, um grupo de pais de alunos, que estava visitando a escola,
entrou na sala. Quando a aula acabou, um deles perguntou pra Professora:
— A senhora está querendo ensinar meu filho a ganhar a vida vendendo amendoim?
A Professora explicou que Alexandre só estava contando pros colegas como era o trabalho
20 dele, pra todos ficarem sabendo como é que ele vivia.
No outro dia saiu fofoca: contaram pro Alexandre que tinha um pessoal que não estava
gostando da maleta da Professora.
— Que pessoal?
Um disse que era a diretora, outro disse que era uma outra professora, outro disse que era o
25 pai de um aluno, outro falou que era o faxineiro, e foi um tal de um disse que o outro falou, que ninguém
ficou sabendo direito.
Aí uns dias depois, choveu muito. [...] Quase ninguém foi à escola. Mas Alexandre foi. Entrou
na classe e viu tudo vazio; chovia demais pra voltar pra casa; resolveu sentar e esperar. Lá pelas
tantas a Professora chegou. Mas chegou sem a maleta. E com um jeito diferente, uma cara meio
30 inchada, não contou coisa gozada, não riu nem nada. Sentou e ficou olhando pro chão. Alexandre
achou que ela nem tinha visto ele:
— Oi!
Ela também disse oi, e continuou quieta. Depois de um tempo, Alexandre cansou de tanto
ninguém dizer nada e falou:
35___ — A chuva molhou sua cara.
A Professora nem se mexeu. Ele perguntou:
— Foi chuva?
Ela fez que sim com a cabeça. Alexandre resolveu esperar mais um pouco. Mas pelo jeito, a
Professora tinha esquecido de dar aula. Será que era porque ela não tinha trazido a maleta? Arriscou:
40___ — Cadê a maleta?
A Professora olhou pra ele sem saber muito bem o que é que dizia. Ele insistiu:
— Hem? Cadê?
— Perdi.
Ele se apavorou:
45__ _— Com tudo que tinha lá dentro?
— É.
— Os pacotes todos?
— É.
— O azul, o verde, o...
50___ — É, é, é!!
Puxa, que susto! ela nunca tinha falado alto assim. Não perguntou mais nada, o coração ficou
batendo, batendo, mas ela continuava sempre quieta, tão quieta que ele acabou não aguentando e
perguntou de novo:
— Mas e agora? Como é que você vai dar aula sem a maleta?
55___ — Não sei.
— Mas... escuta... você já procurou bem? — Ela fez que sim com a cabeça. — Botou anúncio
no jornal? Diz que quando a gente bota anúncio quem acha dá pra gente. — Ela ficou quieta. — Botou?
— Botei.
— Ninguém achou?
60___ — Não.
— Então como é que vai ser?
— Não sei.
— Dá jeito de você comprar os pacotes de novo?
— Não
65____— Por quê? — Ela não disse nada. — Responde. Por quê?
— Eles vêm junto com a maleta; não vendem separado.
— Mas então compra outra maleta, pronto! — Ela ficou quieta de novo. E como o tempo ia
passando e ela continuava sempre quieta, e a cara não secava nunca e não chovia lá dentro e a cara
cada vez mais molhada, ele acabou pedindo:
70____— Compra, sim?
— Não dá, Alexandre. Eles não estão mais fabricando essas maletas hoje em dia.
E aí ele não perguntou mais nada. Ela também não falou mais. Até que a campainha tocou e
a aula acabou.
BOJUNGA, Lygia. A casa da madrinha. 9. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1986.
Texto III
A FORÇA DO PROFESSOR
1 Um guerreiro sem espada
sem faca, foice ou facão
armado só de amor
segurando um giz na mão
5 o livro é seu escudo
que lhe protege de tudo
que possa lhe causar dor
por isso eu tenho dito
tenho fé e acredito
10 na força do professor.
Ah... se um dia governantes
prestassem mais atenção
nos verdadeiros heróis
que constroem a nação
15 ah... se fizessem justiça
sem corpo mole ou preguiça
lhe dando o real valor
eu daria um grande grito
tenho fé e acredito
20 na força do professor.
Porém não sinta vergonha
não se sinta derrotado
se o nosso país vai mal
você não é o culpado
25 nas potências mundiais
são sempre heróis nacionais
e por aqui sem valor
mesmo triste e muito aflito
tenho fé e acredito
30 na força do professor.
Um arquiteto de sonhos
engenheiro do futuro
um motorista da vida
dirigindo no escuro
35 um plantador de esperança
plantando em cada criança
um adulto sonhador
e esse cordel foi escrito
porque ainda acredito
40 na força do professor.
BESSA, Bráulio. Poesia com rapadura. Fortaleza: Cene, 2017.
O verso do Texto III que melhor se relaciona com o momento de frustração vivido pela Professora do Texto II é