Questão 2079537

Língua Portuguesa · 2023

Questão

ID 2079537

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Sentidos do texto

Ano: 2023 Banca: Legalle Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Caxias do Sul


Para responder às questões 01 a 06, leia o texto abaixo.

A segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade nos assusta

1 Tenho lido matérias que defendem a ideia de

2 que viajar não é tão fundamental e que os turistas

3 deveriam parar com tanta andança sem sentido.

4 Alguns italianos concordam. "Não venham mais!", ___

5 gritado das janelas os nativos que ainda moram em

6 Veneza, cidade que recentemente foi considerada pela

7 Unesco um patrimônio em risco. Não demorará para

8 Veneza ser ocupada só por visitantes, e aí não será

9 mais uma cidade, e sim uma Disney para adultos, uma

10 cenografia.

11 Ainda que eu concorde que alguns lugares

12 precisam controlar a entrada de tanta gente, como faz

13 Fernando de Noronha, jamais defenderei que viajar é

14 uma banalidade dispensável. Sei que é possível ser

15 muito feliz sem jamais colocar os pés em um aeroporto

16 - não eu.

17 ____ viajar precisa ser um estado de

18 exceção? Passamos grande parte da vida morando no

19 mesmo endereço, com alguns intervalos de fuga.

20 Imagine o inverso: viajar constantemente, com alguns

21 intervalos de permanência. Eu sei, o ser humano é

22 gregário, precisa manter vínculos emocionais e ter um

23 emprego ____ de ganhar dinheiro para sobreviver,

24 não é prudente se aventurar (palavrinha tentadora,

25 aventura: injustamente associada a algo temporário).

26 Porém, morar para sempre numa única cidade,

27 em geral a que nascemos, é que parece um desatino.

28 Pense no que o planeta oferece. Ilhas. Florestas.

29 Desertos. Montanhas. Canyons. Santuários. Templos.

30 Pirâmides. Vulcões. Savanas. Praias. Ruínas. Aldeias.

31 Caminhos sagrados. Metrópoles futuristas. Vilarejos

32 históricos. E pessoas. Pessoas de todas as raças e

33 culturas, pessoas que pensam, comem e agem de

34 forma diferente da nossa. Cartões postais existenciais.

35 Não consigo chamar de aventureiro aquele

36 que se dedica a conhecer o planeta em sua vasta

37 representação, em vez de comprar uma geladeira, um

38 fogão e formar família. Como eu fiz, e você,

39 provavelmente, também. A gente não se arrepende,

40 mas, no fundo, sabemos que estamos cumprindo

41 ordens. A sociedade costuma ser intransigente com os

42 nômades.

43 Não fomos educados para a experiência in

44 loco, para as possibilidades de conexão com etnias

45 variadas, para uma expansão geográfica que nos

46transforme de fato em cidadãos do mundo. A

47 segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade

48 nos assusta. Compensamos nosso comodismo com

49 livros, que são mais baratos que passagens aéreas. E,

50 quando dá, fazemos turismo.

51 Cada viagem de 10 dias ou de um mês é um

52 jeito de colocar a cabeça para fora da gaiola. Depois,

53 voltamos para casa ainda mais comprometidos com

54 nossas raízes: condicionados ou não, optamos pelo

55 amor romântico, pela criação de filhos, pelos cuidados

56 com os pais. Confirmar, de tempos em tempos, que

57 existe muito mais do que isso, é nosso ato de bravura.

58 Mas aventura mesmo é ficar.

Autor: Martha Medeiros — GZH (adaptado).



Em relação às ideias do texto, analise as partes que seguem:

(1ª parte): O texto apresenta um olhar crítico sobre a dicotomia entre o desejo de explorar o mundo e a tendência humana de se apegar ao familiar e seguro. Neste contexto, a temática central do texto, considerando a sua abordagem crítica, pode ser definida como a necessidade de reavaliar os conceitos de liberdade e segurança na sociedade contemporânea, especialmente no que tange às escolhas de vida entre viagem e estabilidade.

(2ª parte): O texto aborda a ideia de que A sociedade costuma ser intransigente com os nômades (l.41-42). Esta afirmação sugere que a autora percebe uma tensão entre os estilos de vida nômade e sedentário. Logo, a autora pressupõe que existe uma valoração cultural que privilegia a estabilidade e o sedentarismo em detrimento do nomadismo, refletindo um conflito entre diferentes ideais de vida.

(3ª parte): A autora argumenta que viajar não é uma banalidade dispensável (l.14). Para comprovar este argumento, ela relata experiências pessoais que demonstram o valor das viagens.

Das partes, pode-se afirmar que:

Alternativas da questão 2079537
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