Questão
ID 2032643Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Quadrinho
Ano: 2017 Banca: IFPE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco
Leia o TEXTO 16 para responder às questões de 36 a 40
TEXTO 16

Leia o TEXTO 15 para responder às questões de 31 a 34.
TEXTO 15
O TRABALHO NA BALANÇA DOS VALORES
- Em A condição humana, [Hanna] Arendt retoma a distinção grega das três
- atividades fundamentais: labor, trabalho e ação. O labor é a atividade que corresponde
- ao processo biológico do corpo do homem pela sobrevivência, com o fim de
- manutenção e reprodução da vida. O modelo é o do camponês sobre o arado, o trabalho
- na terra. Ressalta a passividade dessa forma de atividade humana submissa aos ritmos da
- natureza, às estações, à intempérie, às forças incontroláveis. O produto desse esforço é
- perecível, embora dele dependa a vida de quem trabalha, por isso não é um trabalho
- livre. A condição humana do labor é a vida.
- Por outro lado, o trabalho propriamente dito, que corresponde à poiesis grega,
- significa fazer, fabricação, criação de um produto por técnica ou arte, e corresponde ao
- artificialismo da existência humana. Poiesis é a obra da mão humana e dos instrumentos
- que a imitam. O modelo é o do escultor; por seu resultado concreto, o fazer do artista
- adquire a qualidade da permanência e torna-se presença no mundo, para além da vida de
- seu produtor. A mundanidade é a condição humana do trabalho.
- Por sua vez, a ação ou praxis se exerce diretamente entre os homens, sem a
- mediação das coisas nem da matéria. Não apresenta um produto concreto, portanto, não
- possui a permanência da fabricação. É o domínio da atividade em que o instrumento é o
- discurso, a voz e a palavra do homem. Corresponde à condição humana da pluralidade e
- realiza a liberdade.
- Arendt também analisa a marca da cultura judaica e cristã na concepção
- ocidental da condição humana, em cujos entrelaçamentos se mantiveram a primazia da
- teoria sobre a atividade e o menosprezo do trabalho manual. Na tradição judaica, o
- trabalho se apresentava como castigo, meio de expiação do pecado original, labuta
- penosa a qual o homem foi condenado. Nos primeiros tempos do cristianismo, o
- trabalho continuou a ser visto como punição, embora servindo à saúde do corpo e da
- alma. Nos mosteiros medievais, devia ser alternado com a oração e limitar-se à
- satisfação das necessidades básicas da comunidade.
(ALBORNOZ, Suzana. O trabalho na balança dos valores (trecho adaptado). Revista Cult. São Paulo, v. 139, n. 9. 2009)
Relacionando o TEXTO 16 com o TEXTO 15, é CORRETO dizer que